A nova patrulha de agentes especializados
Hugo viajou num avião particular até aos Estados Unidos da América.
Depois de chegar ao aeroporto mandou um e-mail ao Jim, para ele ir ao café “Coffee and Soups” na cidade de Nova Iorque.
Jimmy intrigado com o e-mail, e como ele era muito curioso resolveu ir lá ao tal café. A verdade era que ele nunca tinha entrado naquele café. Era muito escondido, quase ninguém ia lá.
Entrou. Viu lá ao fundo, sentado numa mesa, a única pessoa que estava no café: um senhor de gabardina bege.
Jimmy dirigiu-se a ele.
- Jim McGuire? – perguntou o inspector Hugo.
- Sim! O que quer de mim? Quem é o senhor? – quis saber o Jimmy.
- Sou o inspector Hugo Faria. – respondeu ele.
O inspector explicou tudo ao Jimmy.
- Aceita ser membro dessa nova patrulha de agentes secretos? – interrogou o inspector.
- Claro que sim. – respondeu o Jimmy.
- Óptimo! Quer tomar um café com uma sopa, para começar o dia? – inquiriu o Hugo.
- O.k. – aceitou o Jimmy.
Hugo dormiu no prédio do Jimmy. No dia seguinte acordou, foi tomar o pequeno almoço e foi-se vestir muito bem agasalhado.
- Não vais morrer de calor, assim vestido? Não está assim tanto frio! – espantou-se o Jimmy.
- Vou à Gronelândia avisar o segundo membro da patrulha: Alan Manak. – informou o Hugo.
- O que vais levar? – quis saber o Jimmy.
- Um gorro de lã, bolsas estanques, óculos de sol, três camisas fibra, casaco de forro polar, calças e casaco impermeáveis, luvas, calças de treking, botas de treking, botas altas de borracha, estojo pessoal, luvas neoprene, saco cama, colchonete isolante, prato, caneca, lanterna e estojo de medicamentos. – respondeu o Hugo.
- Tanta coisa! – admirou-se o Jimmy.
- É preciso. – disse o Hugo.
Hugo viajou no seu avião particular até à Gronelândia.
Chegou lá e perguntou aos esquimós que se encontravam a andar de trenó.
- Desculpem, mas podem me dizer onde está o Alan?
- O Alan? O Alan sou eu. – respondeu ele.
- Ah, pois é verdade. Não tinha reparado. Tem a cara meio escondida... esse casaco é uma gracinha... – disse o Hugo.
- Mas o que quer de mim? – quis saber o Alan.
- Sou o inspector Hugo. – respondeu ele.
- O que é que eu fiz? – inquiriu o Alan.
- Nada. – respondeu o Hugo.
- Então... – Alan foi interrompido pelo Hugo.
- Vou lhe explicar tudinho.
Hugo explicou-lhe tudo.
- Então? Aceita ser um dos agentes secretos? Já falei com o norte americano Jimmy McGuire e ele aceitou. E você?
- Está bem, eu aceito. – decidiu o Alan.
- Boa! – exclamou o Hugo.
- Quer almoçar? – perguntou o Alan.
- Pode ser. – concordou o Hugo.
O almoço era: pão esquimó, carne de baleia frita, carne de caribú, anmmassat secos, gordura e carne de foca, limonada e fletão fumado.
- Tá tudo muito gostoso! – exclamou o Hugo.
- A sério? Fui eu que fiz. – admirou-se o Alan.
- Tou falando sério. Tá tudo muito gostoso. – disse o Hugo.
- Quer andar de trenó? – perguntou o Alan.
- Pode ser. – respondeu o Hugo.
Andaram de trenó e de seguida andaram de kayak e quando chegaram a casa já estava a escurecer.
Passado algumas horas, o Alan tinha acabado de cozinhar.
- Hora do jantar. – chamou o Alan.
Toda a gente reuniu-se na mesa.
- Que cheiro mais gostoso! E que bom aspecto! – exclamou o Hugo.
- Já percebeu porque é que aqui a hora de jantar é sagrada. – brincou a Hanna.
- Sim, a comida confeccionada pelo Alan é muito gostosa! – respondeu o Hugo.
O jantar era: pele crua de baleia, bacalhau seco, arroz e laranjada.
- Estava uma delícia! – exclamou o Hugo.
- Vamos contar uma história? – perguntou a Hanna.
- Pode ser. – respondeu o Hugo.
- Nós os Inuits, usamos um fio para contar histórias, denominado por «cama de gato».
- Interessante! – exclamou o Hugo.
- Vou contar duas lendas de Sedna. – informou a Hanna.
- Sim, conta lá. – pediu o Hugo.
Toda a gente encontrava-se reunida em volta de uma fogueira. Todos gostavam de ouvir as lendas do povo.
- Há uma variante do mito de Sedna em que, muito antes de se casar com o marido pássaro, deixa o seu pai enfurecido ao rejeitar o noivo que ele escolhera. Então, o velho grita: “ Tu desonraste-me e envergonhaste-me! Já que não quer o noivo que eu escolhi, fica com o meu cão, o único noivo digno de uma filha que envergonha o pai!”
Acontece que o cão do velho ouviu tudo com muita atenção. À noite, enquanto todos dormem, ele visita-a e toma-a como companheira. Quando o pai acorda e descobre o que aconteceu, sente-se mais desonrado e resolve isolar a filha numa ilha deserta. Para que mais serviria uma moça que dorme com um cão? Mas o cão gosta realmente de Sedna, principalmente porque ela agora carrega no ventre os frutos daquela noite de amor. Assim, todos os dias, o animal nada até à ilha onde Sedna está presa, levando nas costas um embornal cheio de alimentos.
O velho pai, desconfiado e enciumado, vigia o cão e descobre o que estava a acontecer. Decide então trocar a comida que ele carrega no embornal por pedras pesadas. O marido cão pula na água, o peso das pedras faz com que ele afunda e morra afogado. Sem alimentos, Sedna decide salvar os filhos, distribuindo-os por dois caiaques: num vão todos os filhos do marido cão que também nasceram com aparência de cachorros. Estes chegam à terra firme e transformam-se nos ancestrais do homem branco. No outro barco vão os filhos de Sedna que nasceram com aparência humana. Estes chegam a terra firme e transformam-se nos ancestrais do povo Inuit.
Tempos depois, arrependido, o velho pai decide resgatar Sedna do seu exílio. Trazida de volta para a aldeia, ela vive triste até que chega um belo estranho… que é nada mais nada menos que o marido pássaro.
Sedna, a mulher esqueleto
Um jovem pescador chegou com o seu caiaque numa região de águas profundas e atirou a rede. Ao puxá-las, sentiu que elas traziam algo grande e pesado. Imaginando tratar-se de um peixe avantajado, puxou com todo o entusiasmo até trazer à tuna uma horrível visão de uma mulher esqueleto. Era o corpo de Sedna, comido pelos peixes e deteriorado pela permanência nas águas abismais.
Apavorado, o pescador pôs-se a remar com toda a velocidade. Entretanto, quanto mais remava, mais rápido o esqueleto era arrastado atrás dele, pois os ossos haviam-se enroscado nas redes de pesca. Chegado à terra, o pescador pôs-se a correr com quantas forças tinha. Como levava com ele a rede, a mulher esqueleto vinha junto, pulando e chocalhando os ossos. O pescador pulou para a sua tenda, achando que ali estava protegido, e levou um enorme susto ao descobrir que o esqueleto entrara com ele.
Conseguindo superar a sensação de pavor, só então o rapaz teve coragem para olhar com mais atenção a mulher esqueleto e descobrir que ela só o seguia porque os seus ossos descarnados estavam enroscados na rede. Então, pela primeira vez o pescador sentiu compaixão por aquela mulher agora transformada num monte de ossos. Aproximou-se, tomou coragem e começou a desembaraçar os ossos dos fios da rede. Aos poucos, libertou todos os ossos do esqueleto e deitou-os cuidadosamente sobre uma confortável pele de urso. Encerrado o trabalho, e percebendo que nada mais podia fazer por aquele esqueleto que um dia fora uma mulher, foi dormir com uma lágrima a escorrer dos olhos.
Acontece que, depois de dormir um tempo imemorial no fundo do oceano, a mulher esqueleto sentiu-se confortável com a pele de urso. Então ela acordou, viu o seu benfeitor a dormir e viu também a lágrima a escorrer-lhe do olho. Como a mulher esqueleto tinha sede, levantou-se e bebeu a lágrima do pescador. E bebeu muito e muito, porque a sua sede vinha de muito longe. Depois percebeu que o pescador fizera comida, e comeu um pouco dela. E como a sua fome vinha de muito longe, ela comeu, comeu e comeu até sentir-se aquecida por dentro. E aos poucos, a carne foi de novo cobrindo os seus ossos, e os seus cabelos cresceram belos outra vez, e o seu corpo foi tomando forma. Quando o pescador acordou, descobriu que uma linda mulher dormia a seu lado. Não é preciso dizer que os dois ficaram juntos desde então, e que jamais faltou boa pesca para ele, pois ela sabia sempre dizer-lhe onde lançar a rede.
Para resumir, é importante ressaltar alguns pontos que são comuns a todas as lendas:
Sedna recusa os pretendentes “normais”, o que acaba levando a uma situação limite: ter de aceitar como marido que nem sequer pertence à espécie humana;
O marido pássaro de Sedna consegue levá-la para a ilha à custa de disfarces, mentiras e promessas não cumpridas;
O pai de Sedna tenta salvá-la, mas na hora em que a moça mais precisa dele, acovarda-se e tenta livrar-se da filha para salvar a própria dele;
Dos dedos de Sedna, cortados em algumas lendas, quebrados ou congelados noutras, nasce toda a vida marinha;
Mesmo traída, triste e abandonada no fundo do mar, Sedna continua a prover a vida do povo na superfície, permitindo que a fauna marinha do Árctico ofereça-se como alimento para os homens. Contudo, Sedna sofre com os desvios humanos. Os seus soluços e a sua inquietação provocam desequilíbrios climáticos e fome;
Só mediante um acto de purificação colectiva, a xamã consegue fazer contacto com Sedna e restabelecer as condições propícias à vida; - contou a Hanna.
- Muito engraçada a lenda! Mas como o que é que Sedna, sendo humana consegue ter filhos de um cão? – interrogou o Hugo.
- Isso é só uma lenda. – respondeu o Alan.
Hugo foi lá fora, fumar um cigarro e depara-se com uns miúdos de cinco anos a brincar aos «imitadores». O chefe colocava os pés na neve e os outros calcavam em cima das suas pegadas.
Foi para dentro, estava muito frio.
- Estão uns miúdos a brincar lá fora. – informou o Hugo.
- Não me diga... Meninos, venham já para dentro. – ralhou a Hanna.
- Está muito frio! – queixou-se o Hugo.
- Se quiser, eu aqueço-o. – sugeriu a Hanna.
- Pode ser. – respondeu o Hugo.
Hanna era uma esquimó com cerca de dezoito anos.
Hugo e Hanna foram para o quarto e fizeram amor acabando por adormecer.
- Meu Deus! Já estou atrasado, tenho de ir a Portugal. – exclamou o Hugo.
- Vai a Portugal fazer o quê? – quis saber a Hanna.
- Negócios, Hanna, negócios. – respondeu o Hugo.
O Hugo vestiu-se e foi tomar o pequeno almoço e viajou no seu avião particular para Portugal.
Hugo chegou a Lisboa e foi directamente à agência de modelos, onde Liliane trabalhava.
- Liliane Pereira? Quero falar com você. É urgente! – pediu o Hugo.
- Quem é o senhor? – quis saber a Liliane.
- Sou o inspector Hugo Faria. – respondeu ele.
- E posso saber o que quer de mim? – perguntou a Liliane.
- Vou lhe explicar tudo. – garantiu o Hugo. – Mas não aqui.
- Então, aonde vamos? – inquiriu a Liliane.
- Deixo isso por sua conta. – respondeu o Hugo.
- Pode ser num restaurante? – questionou a Liliane.
- Claro. – respondeu o Hugo.
- Então vamos... deixe-me arrumar aqui uns papéis e já vamos. – disse a Liliane.
- O.k. – concordou o Hugo.
Foram jantar num restaurante ali perto e Hugo contou-lhe tudo em pormenor. Como já estava farto de repetir sempre a mesma coisa!
- Então? Aceita ser membro dessa nova patrulha? – perguntou o Hugo.
- Vou pensar. – respondeu a Liliane.
- Por favor, aceite. – pediu o Hugo.
- Está bem, mas o que é que eu ganho com isso? – quis saber a Liliane.
- Irá ganhar dinheiro... – disse o Hugo.
- Então, tudo bem. – respondeu a Liliane.
- Bom, amanhã terei de partir para Moçambique, informar outro dos membros da patrulha. – informou o Hugo.
- Pode dormir na minha casa. – abonou a Liliane.
- Obrigado, sim. – agradeceu o Hugo.
Liliane foi para casa na sua Fastbike, levando consigo o Hugo.
- Gosta de andar de Fastbike? – espantou-se o Hugo. – Ah, pois, isso estava na sua ficha... Eu cá não gosto nada, dá-me enjoos.
- Eu cá acho que andar de Fastbike é muito divertido. – discordou a Liliane.
- Bom, estou cheio de sono! – comentou o Hugo.
- Eu também. Vamos dormir. – concordou a Liliane. – Este quarto é para si.
- Obrigado. – agradeceu o Hugo.
Hugo estava fatigado... só de pensar que ainda faltava informar três pessoas ficou todo desanimado.
No dia seguinte, Hugo acordou bem cedo e foi tomar o pequeno almoço na cozinha. Liliane já estava acordada.
- O que é o pequeno almoço? – quis saber o Hugo.
- Leite com cereais. – respondeu a Liliane.
- Bem preciso de energias. Ainda me falta informar mais três pessoas. – anunciou o Hugo.
- Vou trabalhar com estas pessoas? – perguntou a Liliane, apontando para as fotos da nova patrulha.
- Sim. – respondeu o Hugo.
- E como é que os vou conhecer? – inquiriu a Liliane.
- Quando informar todo o pessoal, eu combino um dia para vocês se encontrarem comigo no Brasil, vem umas pessoas lhe pegar... depois dou mais pormenores. – respondeu o Hugo.
- Está bem. Posso ver o teu colar? – questionou a Liliane.
- Claro. – deixou o Hugo.
- É um bocado de coco! – espantou-se a Liliane.
- Sim, é bonito, não é? – perguntou o Hugo.
- Sim, é muito bonito. – concordou a Liliane. – O meu é uma pedra cor de rosa em forma de rectângulo...
- Muito feminino! – comentou o Hugo. – Bom, estou muito atrasado. Vou ao aeroporto apanhar o meu avião particular.
- Quer que o leve ao aeroporto? – inquiriu a Liliane.
- Não, é melhor, não. – respondeu o Hugo. – O meu motorista me leva, ‘tá. Adeus.
- Adeus, inspector. – acenou a Liliane.
Passado algumas horas, o Hugo estava em Moçambique.
Ele e o seu motorista passaram pelo meio da selva, como se tratasse de um safari. Viu elefantes, girafas, zebras, búfalos e hienas.
- Vamos, depressa, tenho medo desses animais. – gritou o Hugo para o motorista.
- É para já, Sr. Inspector. – disse o motorista.
O motorista acelerou a fundo e parou em frente a um hospital em construção. O inspector avistou o Samuel a dar ordens e instruções aos funcionários.
- Samuel Sousa! – exclamou o Hugo.
- Quem és tu? – quis saber o Samuel.
- Sou o inspector Hugo Faria, muito prazer. – apresentou-se.
- É português? – perguntou o Samuel.
- Não, eu sou brasileiro. – respondeu o Hugo.
- Do Brasil? És do Brasil? Terra do café, do samba, da caipirinha e das gajas boas? – inquiriu o Samuel.
- É isso aí, rapaz. – abonou o Hugo. – Bom, eu gostaria de falar com o senhor sobre um assunto particular...
- Está bem. Diz lá o que tens para dizer que eu ‘tou com pressa. – disse o Samuel.
Hugo explicou tudo o que tinha a explicar e no fim questionou:
- Quer fazer parte da nova patrulha?
- Pode ser. – concordou o Samuel. – Vá, acabou tudo por hoje, vamos todos para casa.
- Ui, hoje o trabalho foi duro! Com tanto sol e tão pouca água...
- Tu ‘tá calado, ‘co patrão não gosta de malandragem... – disse outro trabalhador.
- Tu tem razão, vou-me calar e é já, pois ele ‘tá ouvindo. – disse o outro.
- Preguiçosos! – comentou o Samuel.
- Ainda bem que você é trabalhador... – desabafou o Hugo.
- Nasci para trabalhar. – disse o Samuel. – Quer fazer um safari?
- Bem, eu tenho medo desses bichos da selva e...
- Eles não fazem mal, quer dizer... fazem; mas vamos de jipe. – disse o Samuel.
- Bem, se me garante segurança, eu vou. – disse o Hugo.
- Boa! – exclamou o Samuel.
Hugo, Samuel e outros moçambicanos andaram de jipe pela selva. Viram muitos animais, entre os quais: girafas, elefantes, hienas, zebras, gazelas, hipopótamos, tigres, leões, búfalos, etc.
No final da visita à selva, Hugo exclama:
- Maravilhoso! África tem imenso mistério!
- Claro que tem, por isso é que gosto de viver aqui. Não é por acaso que Moçambique é conhecido como “A Jóia de África”.
- Pois...
- Deves estar com fome... ou sono...
- Sim, é verdade. Este safari me deu fome e sono! – disse o Hugo.
- Vamos já comer. Espera um bocadinho enquanto vou cozinhando.
Enquanto o Samuel cozinhava batata cozida com carne de búfalo, Hugo aproveitou para mandar um e-mail ao chefe.
- O jantar está pronto. – chamou o Samuel.
- ‘Tá tudo muito gostoso, parabéns! – elogiou o Hugo.
- Obrigado. – agradeceu o Samuel.
Depois do jantar, Hugo foi deitar-se.
No dia seguinte acordou e foi tomar o pequeno almoço.
- Vou para a Austrália. – informou o Hugo.
- Fazer? – quis saber o Samuel.
- Vou informar um dos membros da patrulha, Doug Timberlake. – explicou o Hugo.
- Que sorte! Eu nunca saí de Moçambique! – espantou-se o Samuel.
- Não se preocupe, porque quando esta patrulha entrar em acção, você vai ficar farto de tanto viajar e conhecer tanto país. – disse o Hugo.
- Que bom! Estou ansioso. – exclamou o Samuel.
- Só nesta semana fui aos Estados Unidos, à Gronelândia, a Portugal, a Moçambique, hoje vou à Austrália e amanhã vou ao Japão. – informou o Hugo.
- Isso é o máximo! Deve ser óptimo conhecer novos países, novas culturas...
- É muito bonito, mas cansa e bastante. Quando começar a viajar, só vai querer voltar a sua casa e descansar... – discordou o Hugo.
- Está com saudades do Brasil? – perguntou o Samuel.
- Se estou? Claro, rapaz! Quem me dera estar em casa a descansar e a beber um café, ou uma caipirinha, ou um conhaque, ou um batido de coco ou outro suco qualquer. Também ‘tou com saudades das praias do Rio e das garotas!... – desabafou o Hugo.
- Posso saber quem são os membros da patrulha? – inquiriu o Samuel.
- Claro que pode. – deixou o Hugo.
Hugo estendeu-lhe as fichas com as respectivas fotos e características.
- Essa tal de Liliane é muito bonita! – exclamou o Samuel.
- Pois é! – concordou o Hugo.
Ouve-se um toque de buzina lá fora.
- Bom, tenho de me ir embora, o meu motorista está à minha espera p’ra me levar ao meu avião particular...
- Avião particular? Mas isso é esplendido! – espantou-se o Samuel.
- Quando você for membro da patrulha também vai usar um avião particular...
- Estou tão emocionado! Quando é que vamos entrar em acção? – quis saber o Samuel.
- Em princípio, depois de amanhã. Vem umas pessoas para vos vir buscar pró Brasil e...
- Boa! – entusiasmou-se o Samuel.
Ouve-se mais três apitadelas.
- Tenho que me ir embora, ‘tou mesmo atrasado... Adeus, até breve. Fica bem, ‘tá? Se cuide. – despediu-se o Hugo.
- Adeus, inspector Hugo Faria. – despediu-se o Samuel.
Hugo entrou no carro e passado dez minutos estava na pista de aviões e dirigiu-se ao seu avião particular da Air Brazil, rumo à Austrália.
Chegou à Austrália e foi para a praia preferida dos surfistas. Tinha a certeza que encontraria lá o Doug.
Encontrou o Doug a surfar no mar com outros colegas.
Hugo esteve a admirar a partida. Doug era um óptimo surfista!
Depois de surfar, Doug foi a uma barraca comer um gelado.
- Voltei a ganhar-te, Usher... desiste. – comentou o Doug.
- Como sempre... ah, e como sempre, Sean ficou em último lugar... desiste, meu. Tu não consegues ganhar nada, é melhor veres outro desporto que tenhas jeito... deixa-me cá ver... assim de repente, não vejo nenhum... – gozou o Usher.
- Não vais começar, pois não? – criticou o Doug.
- Eu gosto de surfar e isso é o que interessa. – disse o Sean.
- É que gosto muito de gozar contigo, Sean... és um cromo! – riu-se o Usher.
Doug deu-lhe uma chapada na cara e Sean começou a chorar.
- Porque é que me bateste, pá? – quis saber o Usher, a esfregar a cara com a mão.
- Para estares calado, tu já sabes que o Sean começa a chorar. – respondeu o Doug.
- Bebé chorão...
- Bebé chorão? Ele não tem culpa de ser mais sensível que nós... – criticou o Doug. – Se não o entendes e não o aceitas tal como é, é porque tu não és um verdadeiro amigo... – Doug foi interrompido por uma salva de palmas.
- Muito bem, rapaz! Gostei muito de seu discurso! – exclamou o Hugo.
- Quem és tu? – perguntou o Doug.
- Eu sou o inspector Hugo Faria, muito prazer. – respondeu ele. – Preciso falar com você imediatamente.
- Sobre o quê? – interrogou o Doug.
- Sobre um assunto particular. – disse o Hugo.
Hugo e Doug falaram durante meia hora e o seu grupo de amigos já estava a ficar preocupado.
- Então, aceita ser membro dessa nova patrulha? – questionou o Hugo.
- Claro. – respondeu o Doug.
- As praias da Austrália são parecidas com as do Brasil...
- Tu és brasileiro? – inquiriu o Doug.
- Sim. – respondeu o Hugo. – Quer ver as fotos dos seus novos colegas?
- Claro que sim. – disse o Doug.
Hugo mostrou-lhe as fotografias.
- A Liliane é muito bonita! – surpreendeu-se o Doug.
- Pois é! – concordou o Hugo.
- Sabe, eu conheço uma rapariga muito bonita, a Alicia, é ruiva de olhos verdes cheia de sardas... Só que ninguém conseguiu conquistá-la... – informou o Doug.
- Mas que gatinha! – espantou-se o Hugo. – Onde está ela? Quero conhecê-la.
- Está ali, sentada na areia... está a ver aquela rapariga ruiva a pôr o protector solar nos braços? – perguntou o Doug.
- Hum, hum... – disse o Hugo.
- É ela. – respondeu o Doug.
- Muito bonita, sim senhor... Puxa, está imenso calor! – exclamou o Hugo.
- Está com calor? – interrogou o Doug.
- Sim, mas no Brasil é ainda mais quente! – informou o Hugo.
- Vamos fazer um negócio? – inquiriu o Doug.
- Que negócio? – quis saber o Hugo.
- Eu dou-lhe o gelado que quiser se conseguir conquistar o coração da Alicia, mas aviso-o já: não vai conseguir... mas se quiser tentar, faça o favor... – disse o Doug.
- Tudo combinado. Doug, não se esqueça que eu quero dois gelados: um Magnum de amêndoa para mim e um Magnum de chocolate e caramelo para ela. – disse o Hugo.
- Mas se não conseguires, serás tu a comprar esses gelados para mim. Porque eu aposto que não vais conseguir. – apostou o Doug.
- Apostado, companheiro; e é você que vai perder. – assegurou o Hugo.
Hugo foi ter com a Alicia e pergunta:
- Precisa de ajuda para colocar o protector solar?
- Não, obrigada. – respondeu ela, de maus modos.
- Mas deve precisar de ajuda para pôr nas costas e como a sua pele é muito branca vai precisar de protector nas costas, ainda apanha câncer de pele... – começou o Hugo.
- Está bem, ajuda-me lá... espera aí, eu não te conheço... quem és tu? – quis saber a Alicia.
Hugo desamarrou o biquini de Alicia e pegou no frasco de protector solar, borrou a mão de creme e espalhou-o nas costas dela.
- Sou o inspector Hugo Faria. Sou brasileiro. – respondeu ele.
- Ah... eu chamo-me Alicia Knowles. – respondeu ela.
- Bonito nome! – exclamou o Hugo.
- Tem a certeza que só veio ajudar-me a pôr o creme nas costas? – inquiriu a Alicia.
- Bem...ham... bem... não. – disse o Hugo. – Eu reparei no quanto a menina é bonita e resolvi tentar conhecê-la melhor...
- Bem, já percebi tudo, seu preto. Tu queres engatar-me para depois fazeres sexo comigo. – gritou a Alicia.
- Não é nada disso, pele de açúcar. É que eu fiz uma aposta com o Doug em como a conseguia conquistar e em troca os dois comeremos gelados pagos por ele. – explicou o Hugo.
- Ah, já me devia ter dito isso antes... sabe, o Doug deixou-me pendurada uma vez e eu estou a pensar em vingar-me... NENHUM HOMEM DEIXA A ALICIA KNOWLES PENDURADA. – berrou a Alicia. – Qual vai ser o meu gelado?
- Magnum de caramelo. – respondeu o Hugo.
- Como adivinhou que o meu gelado preferido é o Magnum de Caramelo? – quis saber a Alicia.
- Vi logo. – respondeu o Hugo.
- Hum, mas que rapaz tão interessante e sensível! Quem me dera que todos reparassem em mim... – exclamou a Alicia.
- Mas é tão bela!? – admirou-se o Hugo.
- Talvez... tu também és bonito. Desculpa eu ter-te chamado «preto». – desculpou-se a Alicia.
- Obrigado, princesa. – agradeceu o Hugo. – Eu não conheço nada da Austrália, e como me vou embora amanhã, não me pode mostrar o que esse país tem de belo? – perguntou o Hugo.
- Claro que sim, mas só depois de nadarmos no mar... sabe nadar, não sabe? – inquiriu a Alicia.
- Claro que sei, no Brasil o que não falta são praias! – exclamou o Hugo.
Alicia e Hugo nadaram no mar e comeram os gelados pagos pelo Doug, e este ficou furioso, assim como todos os outros rapazes da praia.
- Gostei muito de te conhecer, Hugo. És o melhor homem do mundo! – surpreendeu-se a Alicia.
- Ena! Obrigado! – agradeceu o Hugo. – Ei cara, você ‘tá vendo como sou atraente! - dirigindo-se a Doug.
Hugo e Alicia foram para um bar junto da praia onde beberam um conhaque e um whisky.
- Vem a minha casa. – pediu a Alicia, toda bêbeda.
- ‘Tá bem. – aceitou o Hugo, igualmente todo bêbedo.
Alicia levou o Hugo para casa dela e beberam uma garrafa de champanhe, agora é que estavam mesmo bêbedos... e sem darem por si, fizeram amor no sofá da sala.
Quando o Hugo se levantou, é que deu conta do que tinha acontecido. Nesse mesmo instante, Alicia, ao sentir falta do calor de Hugo, acordou.
- Meu Deus, me desculpa, a gente ‘tava bêbedo, a gente não sabia o que ‘tava fazendo... – Hugo foi interrompido pela Alicia.
- Desculpar, de quê? Foi tão bom! Mas que sensação óptima! – exclamou a Alicia.
- A sério?! Gostou? Isso é o que todas dizem... será que tenho um dom especial? – interrogou o Hugo.
- Acho que sim. – respondeu a Alicia.
- Bom, hoje estou de partida para o Japão. – desabafou o Hugo.
- Oh, que pena... será que nos voltaremos a encontrar? – questionou a Alicia.
- Espero bem que sim, vou morrer de saudade de você... – disse o Hugo.
- Eu também. – concordou a Alicia. – Vou preparar-te o pequeno almoço.
O pequeno almoço foi leite com café e pão com doce de morango.
Hugo foi vestir-se e telefonou ao seu motorista para o vir buscar, ditando a morada.
Alicia deu um beijo na boca de Hugo e abraçaram-se com carinho.
Hugo teve de esperar uma hora e meia pelo motorista, pois este estava de ressaca de ontem à noite por tanto beber e andar em bordéis e além disso não conhecia Sydney.
- Bom, até mais ver. – despediu-se o Hugo.
- Adeus e boa viagem! – desejou a Alicia, com uma lágrima no canto do olho. Nunca nenhum homem a tinha feito sentir mulher.
Hugo viajou no seu avião particular e exclamou:
- Só falta mais este!
Chegado ao Japão viu um modo de vida muito diferente do que estava habituado.
Tóquio era uma cidade muito desenvolvida, com grandes televisores fixados nos grandes edifícios onde estava a dar um programa sobre as artes marciais.
Avistou o Pui-li com um grupo de amigas atrás. Dirigiu-se até ele e informou:
- Sou o inspector Hugo Faria, preciso de falar urgentemente com você.
- Se pensas em prender o Pui-li, arrancamo-te o sebo. – disse a Shinobu.
- Não se preocupem não tem nada a ver com isso, o assunto que quero tratar com ele... – respondeu o Hugo.
- Ainda bem. – interrompeu a Sakura.
- Então do que se trata? – inquiriu o Pui-li.
- É um assunto que só lhe diz respeito, portanto é particular. – anunciou o Hugo.
- O.k. vamos àquele café e conversamos os dois. – decidiu o Pui-li.
Hugo e Pui-li conversaram durante meia hora.
- Aceita ser membro da nova patrulha? – questionou o Hugo.
- Por mim tudo bem, desde que os meus animais e as minhas plantas sejam tratados. – disse o Pui-li.
- Ouça, isso é por sua conta, você dá esse cargo à pessoa que pensa ser a mais correcta. – aconselhou o Hugo.
- Sim, vou dar esse cargo à Myuki, ela gosta muito dos meus cães e dos meus bonsais. – concordou o Pui-li.
Saíram do café e as raparigas perguntaram:
- O que é que ele queria?
- Perguntou-me se queria ser membro de uma nova patrulha e eu aceitei... – respondeu o Pui-li.
- Quer dizer que vais ser um agente secreto? – interrogou a Man Po.
- Sim...
- E vais estar sempre a viajar? – inquiriu a Shizuka.
- Sim...
- E os teus cães, o teu trabalho e os teus bonsais? – quis saber a Myuki.
- Serás tu a trata-los. – respondeu o Pui-li.
- A sério?! Que bom! – entusiasmou-se a Myuki.
- Sim.
- Bom, eu gostaria de conhecer Tóquio, será que posso passear com vocês? – perguntou o Hugo.
- Claro que sim. – respondeu o Pui-li.
- Que bom! – exclamou o Hugo.
- É de onde? – quis saber o Pui-li.
- Sou do Brasil. – respondeu o Hugo.
- Belo país! – admirou-se a Sora.
- Pois, eu também acho. – concordou o Hugo.
Riram-se todos.
- Vamos ao bar? Já são meia noite e quarenta. – sugeriu o Pui-li.
- Vamos pois. – concordou o Hugo.
O bar estava decorado com motivos orientais, mas a música era do Ocidente. Hugo ficou deslumbrado com o licor de arroz e com o Sake.
Man Po e Sakura resolvem ir até ele.
- Gostou do licor de arroz e do Sake? – perguntou a Man Po.
- Sim. – respondeu o Hugo.
- O Brasil é um paraíso, não é? – inquiriu a Sakura.
- Sim, para os criminosos é o sítio ideal. – disse o Hugo.
- Oh! – exclamaram as duas.
E continuaram a conversar durante uma hora e estavam os três embriagados.
Saíram do bar a cantar e a cambalear. Man Po levou o Hugo e a Sakura para sua casa e Hugo acabou por fazer amor com as duas ao mesmo tempo. Elas estavam espantadas e ele também. Tinha sido uma noite em grande. Pela primeira vez, elas esqueceram o Pui-li e isso era fantástico, pelo menos para elas, pois estavam fartas de amarem tanto e esse amor não ser correspondido.
De manhã, Hugo telefonou ao chefe e ao inspector Mendes para informar que já tinha informado todos os membros da patrulha. Pediu ao Mendes para mandar vir dez homens, dois para cada país para virem buscar os novos agentes e levá-los para o Brasil e hospedá-los num hotel de luxo.
O inspector Hugo despediu-se das meninas e foi buscar o Pui-li a casa para levá-lo ao Brasil. Só que Pui-li demorou tanto tempo a despedir-se de Taichi e Izumi, os seus cães.
- Vamos, homem, seja forte. – disse o Hugo.
Só depois de Myuki ter assegurado que ia dar de comer aos cães duas vezes por dia e regar os bonsais todos os dias é que conseguiu ir-se embora.
E lá foram os dois num avião particular para o Brasil onde Pui-li foi hospedado num hotel de luxo e depois foram almoçar feijão preto com picanha e sumo de manga.
domingo, fevereiro 05, 2006
Capítulo 8
A primeira reunião
O inspector Mendes e o Sr. Tavares foram a casa do Jimmy e mandaram outros inspectores informarem os restantes membros da nova patrulha.
- Boa tarde, eu sou o inspector Mendes e vim te buscar para o Brasil, a mando do inspector Hugo Faria. – informou ele.
Todos os outros inspectores diziam mais ou menos a mesma coisa e num dia já tinham reunido todos os membros da nova patrulha num hotel de luxo no Rio de Janeiro.
- Estou muito feliz por vos ter aqui a todos. – discursou o Hugo. – Eu queria vos dizer que a partir de hoje vão ter muitos casos esquisitos para resolver e terão que viajar para vários países.
- Mas que calor!... Ninguém tem nenhum refresco, água fresca, um leque ou uma ventoinha para eu poder arrefecer um bocado? – pediu o Alan, pois não estava habituado a altas temperaturas.
- Simone, traga um refresco para este cavalheiro, se faz favor. – mandou o Hugo.
- Com certeza, Sr. Inspector, com licença. – obedeceu a empregada.
No mesmo instante que a Simone traz o refresco, ouve-se um “bip”.
- Recebi um e-mail do chefe. Ele vai dizer qual é o caso que vocês irão tratar. – informou o Hugo.
O e-mail trazia um ficheiro armazenado e Hugo abriu-o. Era uma página do jornal português “Jornal de Notícias”.
Mutantes aterrorizam Angola...
Relatos apontam que existem mutantes em Angola. Ontem dois polícias apareceram com a cabeça de um monstro. O pior é que ninguém sabe donde vem a origem dos mutantes. Fotos comprovam!
Dois polícias foram tomar banho na praia “Barreira Negra”, depois de um longo dia de trabalho. Quando acordaram de manhã, viram os seus rostos e corpos deformados. Mesmo assim, arranjaram coragem e foram para o emprego. Ficaram todos muito assustados e começaram a gritar «Socorro, monstros». Até nós ficamos aterrorizadas com tão grande deformação no rosto. «É só uma máscara» diz um agente.
Os dois polícias de nome Márcio Silva e Dércio Monteiro gritaram «somos nós, quando acordamos ficámos assim».
mutante
Perguntamos o que fizeram ontem “Nadamos na praia “Barreira Negra”. «Será que a água do mar dessa praia está cheia de produtos tóxicos?» supus.
A minha colega Sara apoiou o meu raciocínio e resolvemos investigar. À noite, nós as três e um
grupo de agentes angolanos fomos pesquisar essa praia. «Ali, ali» gritava a Sara. Beatriz fotografou para onde a Sara apontava aterrorizada.
Acabamos por pensar que não tínhamos descoberto nada, mas quando revelamos as fotografias o resultado era horrível. Um mutante!
Tudo leva a crer que há mutantes em Angola, mas o que é que origina tal monstruosidade? Isso ninguém sabe.
- Que horror! – espantaram-se todos.
- É para lá que vocês vão: para Angola. – decidiu o Hugo. – Vocês vão resolver este caso.
- Claro que vamos. – assegurou o Pui-li.
- Estou a ver que não vou para muito longe... – desabafou o Samuel.
- Mas vai ter outras missões que vão ser bem mais longe que o seu país. – tranquilizou o Hugo. – Bom, vão partir já amanhã, vão fazendo a mala.
Todos fizeram a mala entusiasmados.
- Não se esqueçam: tudo o que descobrirem me informem logo. – avisou o Hugo.
- Está bem. – disseram todos.
No dia seguinte de manhã, foram num avião particular para Angola.
O inspector Mendes e o Sr. Tavares foram a casa do Jimmy e mandaram outros inspectores informarem os restantes membros da nova patrulha.
- Boa tarde, eu sou o inspector Mendes e vim te buscar para o Brasil, a mando do inspector Hugo Faria. – informou ele.
Todos os outros inspectores diziam mais ou menos a mesma coisa e num dia já tinham reunido todos os membros da nova patrulha num hotel de luxo no Rio de Janeiro.
- Estou muito feliz por vos ter aqui a todos. – discursou o Hugo. – Eu queria vos dizer que a partir de hoje vão ter muitos casos esquisitos para resolver e terão que viajar para vários países.
- Mas que calor!... Ninguém tem nenhum refresco, água fresca, um leque ou uma ventoinha para eu poder arrefecer um bocado? – pediu o Alan, pois não estava habituado a altas temperaturas.
- Simone, traga um refresco para este cavalheiro, se faz favor. – mandou o Hugo.
- Com certeza, Sr. Inspector, com licença. – obedeceu a empregada.
No mesmo instante que a Simone traz o refresco, ouve-se um “bip”.
- Recebi um e-mail do chefe. Ele vai dizer qual é o caso que vocês irão tratar. – informou o Hugo.
O e-mail trazia um ficheiro armazenado e Hugo abriu-o. Era uma página do jornal português “Jornal de Notícias”.
Mutantes aterrorizam Angola...
Relatos apontam que existem mutantes em Angola. Ontem dois polícias apareceram com a cabeça de um monstro. O pior é que ninguém sabe donde vem a origem dos mutantes. Fotos comprovam!
Dois polícias foram tomar banho na praia “Barreira Negra”, depois de um longo dia de trabalho. Quando acordaram de manhã, viram os seus rostos e corpos deformados. Mesmo assim, arranjaram coragem e foram para o emprego. Ficaram todos muito assustados e começaram a gritar «Socorro, monstros». Até nós ficamos aterrorizadas com tão grande deformação no rosto. «É só uma máscara» diz um agente.
Os dois polícias de nome Márcio Silva e Dércio Monteiro gritaram «somos nós, quando acordamos ficámos assim».
mutante
Perguntamos o que fizeram ontem “Nadamos na praia “Barreira Negra”. «Será que a água do mar dessa praia está cheia de produtos tóxicos?» supus.
A minha colega Sara apoiou o meu raciocínio e resolvemos investigar. À noite, nós as três e um
grupo de agentes angolanos fomos pesquisar essa praia. «Ali, ali» gritava a Sara. Beatriz fotografou para onde a Sara apontava aterrorizada.
Acabamos por pensar que não tínhamos descoberto nada, mas quando revelamos as fotografias o resultado era horrível. Um mutante!
Tudo leva a crer que há mutantes em Angola, mas o que é que origina tal monstruosidade? Isso ninguém sabe.
- Que horror! – espantaram-se todos.
- É para lá que vocês vão: para Angola. – decidiu o Hugo. – Vocês vão resolver este caso.
- Claro que vamos. – assegurou o Pui-li.
- Estou a ver que não vou para muito longe... – desabafou o Samuel.
- Mas vai ter outras missões que vão ser bem mais longe que o seu país. – tranquilizou o Hugo. – Bom, vão partir já amanhã, vão fazendo a mala.
Todos fizeram a mala entusiasmados.
- Não se esqueçam: tudo o que descobrirem me informem logo. – avisou o Hugo.
- Está bem. – disseram todos.
No dia seguinte de manhã, foram num avião particular para Angola.
Capítulo 9
Perdidos no meio da floresta
Chegaram a Angola e hospedaram-se numas cabanas. Tomaram o pequeno almoço: leite com cacau e bolo de chocolate.
- Vamos fazer um safari? – perguntou o Samuel.
- Pode ser. – responderam todos.
Reuniram-se com alguns habitantes locais e alugaram jipes e armas.
Viram muitos animais e acabaram por descansar à sombra de uma árvore e fazer um piquenique.
Depois de descansarem, retornaram a fazer o safari. Passado quatro horas, estavam completamente embrenhados na floresta.
- Desculpem informar-vos, mas... estamos perdidos. – informou um dos angolanos acompanhantes.
- O quê?! Eu não quero estar aqui na floresta... quero as minhas coisas... Portanto, levem-me já de volta. – gritou a Liliane.
- Calma, vai correr tudo bem... – tentou tranquilizar o Samuel. – A selva não é assim tão má...
- Eu já não aguento mais este calor!... Quando sairmos daqui, vou para dentro duma arca frigorífica! – exclamou o Alan.
- Que exagero! – disse o Samuel.
- Temos de arranjar uma maneira de sair daqui... – começou o Doug.
- Vocês deveriam conhecer a selva... eu não quero ser comida por animais selvagens... – protestou a Liliane.
- Queres ser comida, pelo quê? – brincou o Pui-li, interessado.
- Palerma, estúpido, pateta, idiota, tarado, safado, perverso, tolo, atoleimado, parvo, estupor, excomungado...
- Ei, vê lá como falas, minha menina. Respeito é bom e eu gosto. – reclamou o Pui-li.
- Tu faltaste-me ao respeito. – disse a Liliane.
- Estava só a brincar!... Ainda não comi ninguém... – desculpou-se o Pui-li.
- Digitei algumas informações desta selva no meu computador e ele consegue dizer onde estamos, portanto, também vai conseguir tirar-nos daqui. – informou o Jimmy.
- Boa, Jimmy! – saudaram todos.
Jimmy começou a digitar algumas informações, quando o computador se desligou.
- Mas o que se passa? – quis saber o Jimmy.
- A bateria deve ter ido abaixo. – objectou o Doug.
- Ou alguma interferência que fez com que o computador perdesse o sinal e desligasse. – raciocinou o Pui-li.
- Pois, eu tinha-o carregado logo de manhã... – criticou o Jimmy.
- E já são 22:30h! Está tão escuro! Estou cheia de medo! – suspirou a Liliane.
- Não te preocupes, eu protejo-te... – tranquilizou o Pui-li.
- Afasta-te, palerma. – gritou a Liliane.
Pui-li ficou triste, pois nunca na vida as raparigas tinham-no tratado mal.
Nesse mesmo instante, ouviram um barulho por detrás dos arbustos.
- Será um leão ou um tigre? – perguntou a Liliane, apavorada.
Como estava muito escuro não viram o ser que era, mas quando ele atravessou o caminho deu para ver com horror, que era um... mutante!
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – gritaram todos.
O mutante começou a fugir, mas um dos acompanhantes dos pequenos grandes heróis deu-lhe um tiro e o mutante deu um rugido assustador.
- Venham ver! – entusiasmaram-se.
Foram ver. Era um mutante muito feio e o sangue que escorria das costas dele não era vermelho, era verde!!!
- Que horror! – surpreenderam-se todos, muito chocados.
- Muito bem, Augusta! Agora só nos falta mais uma coisa... – disse o Júlio.
Júlio era um português que tinha estudado ciências e química na universidade de Massachusetts, mas tinha sido expulso porque tinha atitudes muito bizarras e resolveu vingar-se, pois o seu sonho de ser um grande cientista ficou a meio, mas prometeu nunca desistir dele e iria lutar por ele, nem que fosse por caminhos do mal.
Augusta era uma angolana, sua ajudante.
Júlio, escolheu Angola para se instalar, exactamente por ser um país do terceiro mundo e a mão-de-obra era barata.
- Não podemos deixá-lo aqui... – disse um angolano, chamado Igor.
- Vamos levá-lo para onde? – quis saber o Samuel.
- Ao centro de investigação na África do Sul. – respondeu o Igor.
- Sim, acho uma óptima ideia! – aplaudiu o Samuel.
- Mas como iremos levá-lo à África do Sul, se estamos perdidos? – perguntou o Doug.
- Tens razão. Mas não vamos ficar perdidos para sempre. – respondeu o Samuel.
Noite escura. Samuel consultou o relógio: 23:25h.
- Estou cheia de sono!... Quero sair daqui!!! – berrou a Liliane.
- Estou a começar a ficar desesperado. – comentou o Alan.
- É melhor descansarmos e amanhã de manhã iremos à procura das nossas cabanas. – sugeriu o Igor.
Deitaram-se o melhor que puderam nos acentos dos jipes.
- Não consigo dormir, tenho medo! – lacrimejou a Liliane.
- Não tenhas medo, Liliane. – tentou tranquilizar o Pui-li. – Vai correr tudo bem, vais ver.
- Espero que tenhas razão. – disse a Liliane.
Chegaram a Angola e hospedaram-se numas cabanas. Tomaram o pequeno almoço: leite com cacau e bolo de chocolate.
- Vamos fazer um safari? – perguntou o Samuel.
- Pode ser. – responderam todos.
Reuniram-se com alguns habitantes locais e alugaram jipes e armas.
Viram muitos animais e acabaram por descansar à sombra de uma árvore e fazer um piquenique.
Depois de descansarem, retornaram a fazer o safari. Passado quatro horas, estavam completamente embrenhados na floresta.
- Desculpem informar-vos, mas... estamos perdidos. – informou um dos angolanos acompanhantes.
- O quê?! Eu não quero estar aqui na floresta... quero as minhas coisas... Portanto, levem-me já de volta. – gritou a Liliane.
- Calma, vai correr tudo bem... – tentou tranquilizar o Samuel. – A selva não é assim tão má...
- Eu já não aguento mais este calor!... Quando sairmos daqui, vou para dentro duma arca frigorífica! – exclamou o Alan.
- Que exagero! – disse o Samuel.
- Temos de arranjar uma maneira de sair daqui... – começou o Doug.
- Vocês deveriam conhecer a selva... eu não quero ser comida por animais selvagens... – protestou a Liliane.
- Queres ser comida, pelo quê? – brincou o Pui-li, interessado.
- Palerma, estúpido, pateta, idiota, tarado, safado, perverso, tolo, atoleimado, parvo, estupor, excomungado...
- Ei, vê lá como falas, minha menina. Respeito é bom e eu gosto. – reclamou o Pui-li.
- Tu faltaste-me ao respeito. – disse a Liliane.
- Estava só a brincar!... Ainda não comi ninguém... – desculpou-se o Pui-li.
- Digitei algumas informações desta selva no meu computador e ele consegue dizer onde estamos, portanto, também vai conseguir tirar-nos daqui. – informou o Jimmy.
- Boa, Jimmy! – saudaram todos.
Jimmy começou a digitar algumas informações, quando o computador se desligou.
- Mas o que se passa? – quis saber o Jimmy.
- A bateria deve ter ido abaixo. – objectou o Doug.
- Ou alguma interferência que fez com que o computador perdesse o sinal e desligasse. – raciocinou o Pui-li.
- Pois, eu tinha-o carregado logo de manhã... – criticou o Jimmy.
- E já são 22:30h! Está tão escuro! Estou cheia de medo! – suspirou a Liliane.
- Não te preocupes, eu protejo-te... – tranquilizou o Pui-li.
- Afasta-te, palerma. – gritou a Liliane.
Pui-li ficou triste, pois nunca na vida as raparigas tinham-no tratado mal.
Nesse mesmo instante, ouviram um barulho por detrás dos arbustos.
- Será um leão ou um tigre? – perguntou a Liliane, apavorada.
Como estava muito escuro não viram o ser que era, mas quando ele atravessou o caminho deu para ver com horror, que era um... mutante!
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – gritaram todos.
O mutante começou a fugir, mas um dos acompanhantes dos pequenos grandes heróis deu-lhe um tiro e o mutante deu um rugido assustador.
- Venham ver! – entusiasmaram-se.
Foram ver. Era um mutante muito feio e o sangue que escorria das costas dele não era vermelho, era verde!!!
- Que horror! – surpreenderam-se todos, muito chocados.
- Muito bem, Augusta! Agora só nos falta mais uma coisa... – disse o Júlio.
Júlio era um português que tinha estudado ciências e química na universidade de Massachusetts, mas tinha sido expulso porque tinha atitudes muito bizarras e resolveu vingar-se, pois o seu sonho de ser um grande cientista ficou a meio, mas prometeu nunca desistir dele e iria lutar por ele, nem que fosse por caminhos do mal.
Augusta era uma angolana, sua ajudante.
Júlio, escolheu Angola para se instalar, exactamente por ser um país do terceiro mundo e a mão-de-obra era barata.
- Não podemos deixá-lo aqui... – disse um angolano, chamado Igor.
- Vamos levá-lo para onde? – quis saber o Samuel.
- Ao centro de investigação na África do Sul. – respondeu o Igor.
- Sim, acho uma óptima ideia! – aplaudiu o Samuel.
- Mas como iremos levá-lo à África do Sul, se estamos perdidos? – perguntou o Doug.
- Tens razão. Mas não vamos ficar perdidos para sempre. – respondeu o Samuel.
Noite escura. Samuel consultou o relógio: 23:25h.
- Estou cheia de sono!... Quero sair daqui!!! – berrou a Liliane.
- Estou a começar a ficar desesperado. – comentou o Alan.
- É melhor descansarmos e amanhã de manhã iremos à procura das nossas cabanas. – sugeriu o Igor.
Deitaram-se o melhor que puderam nos acentos dos jipes.
- Não consigo dormir, tenho medo! – lacrimejou a Liliane.
- Não tenhas medo, Liliane. – tentou tranquilizar o Pui-li. – Vai correr tudo bem, vais ver.
- Espero que tenhas razão. – disse a Liliane.
Capítulo 10
A lei de sobrevivência na selva
Acordaram cheios de dores pela desagradável posição em que dormiram.
- Acordem, acordem! – gritou a Liliane.
Liliane não conseguira pregar olho na noite passada. Nunca na sua vida pensou dormir no meio da selva.
- Cala-te, nós queremos dormir. – protestou o Doug.
- Mas já é dia, temos de ir procurar as nossas cabanas. – disse a Liliane.
- A Liliane tem razão. – concordou o Igor.
Embrenharam-se na selva mais uma vez. Jimmy acendeu o computador com esperança de ele funcionar.
O que foi mesmo de estranhar foi ele ter funcionado e ter conseguido entrar na Internet sem interferências.
- Já sei onde estamos! – anunciou o Jimmy.
- Onde?! Onde?! – quiseram saber todos.
Jimmy mostrou a área e procurou o local das cabanas e encontrou esse tal local.
- Para chegarmos às tendas, temos que ir sempre a direito. – informou o Jimmy.
Igor pôs o pé no acelerador.
- Agora vira à direita.
Igor virou o jipe na direcção apontada.
Passaram por uma manada de búfalos.
- Agora vira para a esquerda...
Igor acelerou e sem querer atropelou um leão bebé.
- Igor, atropelaste um leão bebé! – horrorizou-se o Pui-li.
- O que querer que eu faça? – perguntou o Igor.
- Ele vai morrer... pára já o jipe. – ordenou o Pui-li.
- Para quê? – questionou o Igor, sem entender.
- Deixa-te de perguntas e pára o jipe. – mandou o Pui-li.
Igor parou o jipe, sem perceber o que o Pui-li queria. Aliás, estavam todos espantados com a reacção dele.
Pui-li saltou do jipe com a mala de primeiros socorros na mão e foi a correr para ao pé do leão bebé.
O pequeno leão gemia de dor. Estava cheio de sangue; à beira da morte... mas para Pui-li nunca era tarde demais. «Se nós nunca lutarmos pela vida ela abandona-nos.» Era o que costumava dizer aos seus colegas veterinários. Para Pui-li ver um animal quase a morrer e por ele nada fazer era a pior coisa que jamais poderia imaginar. Ele amava todos os bichos.
Pui-li enrolou a pata esquerda da frente com gaze e desinfectou-a com água-oxigenada. O pequeno leão não manifestou afecto pelo seu ajudante, mas como estava ferido não se podia defender.
- Vamos levá-lo connosco. – pediu o Pui-li.
- Estás doido? Ele é um animal selvagem... – contrariou o Alan.
- Mas está ferido... – abonou o Pui-li.
- Podes levá-lo, mas és tu que vais tomar conta dele. – disse o Samuel.
- Sim, é isso mesmo que estava a pensar fazer. – disse o Pui-li.
Pui-li pegou no leão bebé e este tentou mordê-lo, mas Pui-li impediu-o, desviando a boca do animal.
Levou-o ao colo e Doug comentou:
- O animal até é engraçado!
- Gostei da maneira como tentaste ajudar o leão bebé! – admirou-se a Liliane.
- Gosto muito de animais! Se não gostasse de animais não podia ser veterinário. – disse o Pui-li.
- És veterinário? – espantou-se a Liliane.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Liliane nunca pensou que aquele rapaz otário e cínico pudesse ser veterinário e muito menos ter salvo a vida a um animal selvagem.
Igor acabou por sentir compaixão pelo pequeno animal indefeso e achou o que o Pui-li tinha feito era um acto nobre e de muita coragem (pois não é toda a gente que é capaz de se chegar a um animal selvagem como um leão)!
- Estamos quase a chegar! – entusiasmou-se o Jimmy. – É só virar à direita...
Jimmy deu um berro.
Todos ficaram a olhar para ele incrédulos.
- O que se passa? Viste um mutante? – questionou o Igor.
Jimmy não conseguiu responder, foi quando ouviram um rugido feroz.
- Uma leoa! – gritaram todos.
- Deve ser a mãe do leão bebé! – achou o Alan.
- Dá-lhe o leão. – berrou o Samuel.
- Não, ele está muito ferido. Se eu não tratar dele, ele morrerá... – discordou o Pui-li.
- Mas a mãe quer o seu filho de volta, Pui-li... – tentou fazer ver a Liliane.
A leoa soltou mais um rugido feroz e tentou subir o jipe.
Gritaram todos.
- Agarrem-se bem! – gritou o Igor, pondo o pé no acelerador.
- Vira à direita, vira à direita! – ordenou o Jimmy.
A leoa continuava a persegui-los com imensa fúria, pois estavam a levar o seu filho para longe dela.
Embrenharam-se na floresta e acabaram por despistar a leoa, mas o jipe parou bruscamente.
- Não temos gasolina!!! – exclamou o Igor, horrorizado.
- O quê? – indagou-se a Liliane. – EU NÃO QUERO ESTAR AQUI NEM MAIS UM SEGUNDO!
- Só há uma solução: ir a pé. – respondeu o Igor.
- Mas fica muito longe e tem animais selvagens... – contrariou a Liliane.
- Fazemos algumas paragens para descansarmos e levamos as espingardas caso a leoa ou outro animal selvagem qualquer quiser atacar-nos. – disse o Samuel.
- Tenho medo!... E se aparece outro mutante? – inquiriu a Liliane.
- Fazemos tal e qual como se fosse uma fera. – respondeu o Samuel. – Ainda temos esse mutante para levar ao centro de investigação na África do Sul.
Pegaram nas espingardas e noutros objectos, no mutante e no leão bebé e aventuraram-se pela selva a pé.
Ouvia-se o som de macacos a saltar de árvore em árvore e a soltar sons estridentes.
Caminharam por longas horas e Liliane pediu para descansarem um bocado.
Pararam para retomar energias, quando aparece a leoa mais furiosa que nunca. Soltou um rugido selvagem e assustador.
Lançou-se a eles num salto atingindo o Pui-li, rasgando-lhe as roupas e a morder-lhe no braço. Pui-li acabou por largar o leão bebé, mas a leoa estava disposta a vingar-se.
Liliane estava aos berros pedindo ajuda e Samuel deu um tiro certeiro na leoa e acabou por abatê-la.
Pui-li pegou no leão bebé e tomou-o nos braços.
- Que dor! – suspirou o Pui-li.
- Demoraram tanto tempo... – indignou-se a Liliane.
- Desculpa, é que estávamos distraídos a ver o mapa. – explicou o Samuel.
- Foi uma cena horrível! – chorou a Liliane, traumatizada.
- O Pui-li está ferido é melhor tratarmos das feridas... – disse o Alan.
Desinfectou-lhe as feridas com água-oxigenada e pôs gaze no braço do Pui-li.
- Vai ter de ir ao hospital fazer os pontos, a sua pele está rasgada. – observou o Alan.
Pui-li lacrimejou e Liliane ficou horrorizada com a gravidade da situação.
Acordaram cheios de dores pela desagradável posição em que dormiram.
- Acordem, acordem! – gritou a Liliane.
Liliane não conseguira pregar olho na noite passada. Nunca na sua vida pensou dormir no meio da selva.
- Cala-te, nós queremos dormir. – protestou o Doug.
- Mas já é dia, temos de ir procurar as nossas cabanas. – disse a Liliane.
- A Liliane tem razão. – concordou o Igor.
Embrenharam-se na selva mais uma vez. Jimmy acendeu o computador com esperança de ele funcionar.
O que foi mesmo de estranhar foi ele ter funcionado e ter conseguido entrar na Internet sem interferências.
- Já sei onde estamos! – anunciou o Jimmy.
- Onde?! Onde?! – quiseram saber todos.
Jimmy mostrou a área e procurou o local das cabanas e encontrou esse tal local.
- Para chegarmos às tendas, temos que ir sempre a direito. – informou o Jimmy.
Igor pôs o pé no acelerador.
- Agora vira à direita.
Igor virou o jipe na direcção apontada.
Passaram por uma manada de búfalos.
- Agora vira para a esquerda...
Igor acelerou e sem querer atropelou um leão bebé.
- Igor, atropelaste um leão bebé! – horrorizou-se o Pui-li.
- O que querer que eu faça? – perguntou o Igor.
- Ele vai morrer... pára já o jipe. – ordenou o Pui-li.
- Para quê? – questionou o Igor, sem entender.
- Deixa-te de perguntas e pára o jipe. – mandou o Pui-li.
Igor parou o jipe, sem perceber o que o Pui-li queria. Aliás, estavam todos espantados com a reacção dele.
Pui-li saltou do jipe com a mala de primeiros socorros na mão e foi a correr para ao pé do leão bebé.
O pequeno leão gemia de dor. Estava cheio de sangue; à beira da morte... mas para Pui-li nunca era tarde demais. «Se nós nunca lutarmos pela vida ela abandona-nos.» Era o que costumava dizer aos seus colegas veterinários. Para Pui-li ver um animal quase a morrer e por ele nada fazer era a pior coisa que jamais poderia imaginar. Ele amava todos os bichos.
Pui-li enrolou a pata esquerda da frente com gaze e desinfectou-a com água-oxigenada. O pequeno leão não manifestou afecto pelo seu ajudante, mas como estava ferido não se podia defender.
- Vamos levá-lo connosco. – pediu o Pui-li.
- Estás doido? Ele é um animal selvagem... – contrariou o Alan.
- Mas está ferido... – abonou o Pui-li.
- Podes levá-lo, mas és tu que vais tomar conta dele. – disse o Samuel.
- Sim, é isso mesmo que estava a pensar fazer. – disse o Pui-li.
Pui-li pegou no leão bebé e este tentou mordê-lo, mas Pui-li impediu-o, desviando a boca do animal.
Levou-o ao colo e Doug comentou:
- O animal até é engraçado!
- Gostei da maneira como tentaste ajudar o leão bebé! – admirou-se a Liliane.
- Gosto muito de animais! Se não gostasse de animais não podia ser veterinário. – disse o Pui-li.
- És veterinário? – espantou-se a Liliane.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Liliane nunca pensou que aquele rapaz otário e cínico pudesse ser veterinário e muito menos ter salvo a vida a um animal selvagem.
Igor acabou por sentir compaixão pelo pequeno animal indefeso e achou o que o Pui-li tinha feito era um acto nobre e de muita coragem (pois não é toda a gente que é capaz de se chegar a um animal selvagem como um leão)!
- Estamos quase a chegar! – entusiasmou-se o Jimmy. – É só virar à direita...
Jimmy deu um berro.
Todos ficaram a olhar para ele incrédulos.
- O que se passa? Viste um mutante? – questionou o Igor.
Jimmy não conseguiu responder, foi quando ouviram um rugido feroz.
- Uma leoa! – gritaram todos.
- Deve ser a mãe do leão bebé! – achou o Alan.
- Dá-lhe o leão. – berrou o Samuel.
- Não, ele está muito ferido. Se eu não tratar dele, ele morrerá... – discordou o Pui-li.
- Mas a mãe quer o seu filho de volta, Pui-li... – tentou fazer ver a Liliane.
A leoa soltou mais um rugido feroz e tentou subir o jipe.
Gritaram todos.
- Agarrem-se bem! – gritou o Igor, pondo o pé no acelerador.
- Vira à direita, vira à direita! – ordenou o Jimmy.
A leoa continuava a persegui-los com imensa fúria, pois estavam a levar o seu filho para longe dela.
Embrenharam-se na floresta e acabaram por despistar a leoa, mas o jipe parou bruscamente.
- Não temos gasolina!!! – exclamou o Igor, horrorizado.
- O quê? – indagou-se a Liliane. – EU NÃO QUERO ESTAR AQUI NEM MAIS UM SEGUNDO!
- Só há uma solução: ir a pé. – respondeu o Igor.
- Mas fica muito longe e tem animais selvagens... – contrariou a Liliane.
- Fazemos algumas paragens para descansarmos e levamos as espingardas caso a leoa ou outro animal selvagem qualquer quiser atacar-nos. – disse o Samuel.
- Tenho medo!... E se aparece outro mutante? – inquiriu a Liliane.
- Fazemos tal e qual como se fosse uma fera. – respondeu o Samuel. – Ainda temos esse mutante para levar ao centro de investigação na África do Sul.
Pegaram nas espingardas e noutros objectos, no mutante e no leão bebé e aventuraram-se pela selva a pé.
Ouvia-se o som de macacos a saltar de árvore em árvore e a soltar sons estridentes.
Caminharam por longas horas e Liliane pediu para descansarem um bocado.
Pararam para retomar energias, quando aparece a leoa mais furiosa que nunca. Soltou um rugido selvagem e assustador.
Lançou-se a eles num salto atingindo o Pui-li, rasgando-lhe as roupas e a morder-lhe no braço. Pui-li acabou por largar o leão bebé, mas a leoa estava disposta a vingar-se.
Liliane estava aos berros pedindo ajuda e Samuel deu um tiro certeiro na leoa e acabou por abatê-la.
Pui-li pegou no leão bebé e tomou-o nos braços.
- Que dor! – suspirou o Pui-li.
- Demoraram tanto tempo... – indignou-se a Liliane.
- Desculpa, é que estávamos distraídos a ver o mapa. – explicou o Samuel.
- Foi uma cena horrível! – chorou a Liliane, traumatizada.
- O Pui-li está ferido é melhor tratarmos das feridas... – disse o Alan.
Desinfectou-lhe as feridas com água-oxigenada e pôs gaze no braço do Pui-li.
- Vai ter de ir ao hospital fazer os pontos, a sua pele está rasgada. – observou o Alan.
Pui-li lacrimejou e Liliane ficou horrorizada com a gravidade da situação.
Capítulo 11
Uma noite com a tribo Wawhie
Os Pequenos Grandes Heróis e os seus acompanhantes andaram pela selva sempre à escuta de sons estranhos. Se algum animal selvagem ou um mutante aparecesse, davam-lhe logo um tiro.
Liliane ajudava o Pui-li no mais que podia. Enquanto estavam a caminhar, Pui-li desmaiou nos braços de Liliane.
- O Pui-li desmaiou! – gritou a Liliane. – Acho que está cheio de febre, a cabeça pareceu-me quente!
Todos correram para junto do Pui-li. Este estava a suar imenso e queixava-se de dores musculares e de cabeça.
- Oh, não! – exclamou o Samuel, examinando os sintomas.
- O que é que o Pui-li tem? – perguntou a Liliane, preocupada.
- Malária. – respondeu o Samuel.
- Oh, não! – exclamaram a Liliane, o Doug e o Jimmy.
- O que podemos fazer para ajudá-lo? – inquiriu a Liliane.
- Nada. – responderam o Samuel e o Igor.
- O que é a malária? – quis saber o Alan.
O Jimmy foi pesquisar «malária» na Internet e leu a resposta:
[1]A malária é uma doença provocada por algumas espécies de protozoários pertencentes ao género Plasmodium, nomeadamente Plasmodium falciparum (provoca o tipo mais grave de malária), Plasmodium Vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. É uma das doenças infecciosas humanas mais amplamente disseminadas, apresentando-se como endémica em muitos países de África, Ásia e América Latina, embora se verifiquem frequentes casos em outras zonas do globo, devido ao fluxo de viajantes e turistas. O modo de transmissão da malária é complexo, envolvendo um hospedeiro intermediário obrigatório (mosquitos do género Anopheles) antes de infectar o homem. O Plasmodium passa por diversas metamorfoses ao longo do ciclo de infecção. Resumidamente: quando um mosquito infectado pica, passam esporozóitos (uma das formas da metamorfose do Plasmodium) para o sangue, dirigindo-se rapidamente para o fígado, onde invadem as células hepáticas, dentro das quais se dividem rápida e assexuadamente, originando merozóitos. No fígado, quando a célula hospedeira rebenta, os merozóitos são libertados para a corrente sanguínea, onde invadem as hemácias (glóbulos vermelhos), originando trofozóitos, que se continuam a dividir assexuadamente, originando mais merozóitos, que são, de novo, libertados para a corrente sanguínea por rebentamento das hemácias, num ciclo de feedback positivo de infecção. Dentro das hemácias, alguns merozóitos vão diferenciar-se em células sexuais masculinas e femininas (gametócitos), as quais podem ser transmitidas aos mosquitos que piquem um doente. Uma vez no insecto, quando ocorre a digestão das hemácias, os gametócitos ficam livres e unem-se formando um oocisto nas paredes do estômago, aí desenvolve-se um esporozóito que, quando maduro, migra para as glândulas salivares do mosquito, reiniciando o ciclo de infecção. Os sintomas ocorrem durante a fase de infecção das hemácias, cerca de 10 a 16 dias após a entrada do protozoário no organismo. Ocorrem ciclos de febres altas, suor, dores musculares e de cabeça, tornando o doente fraco, exausto e anémico. O tempo de cada ciclo de febre varia consoante a espécie de Plasmodium responsável pela infecção, sendo vulgar a alternância de períodos de bem-estar com períodos de doença nos casos de malária benigna (P. vivax, P. malariae e P. Ovale), até que podem acabar por desaparecer espontaneamente. Nos casos de infecção por P. Falciparum, a febre e os sintomas são mais persistentes, podendo ocorrer aumento do volume cerebral e pulmonar, bem como um bloqueio da actividade hepática. A taxa de mortalidade é elevada se não for tratada imediatamente, o que ocorre, em parte, devido ao bloqueio dos capilares e vénulas, pelas hemácias destruídas. Durante quase cem anos o tratamento foi realizado apenas com recurso ao quinino, sendo que actualmente se aplica a terapia conjunta da cloroquina (destrói merozóitos no sangue) e da primaquina (actua ao nível do fígado). Como não existe vacina, a prevenção à doença centra-se na erradicação dos mosquitos (hospedeiros intermédios obrigatórios para o agente infeccioso), em evitar as suas picadas (por exemplo, através do recurso a repelentes) e na tomada das drogas usadas para o tratamento, como medida de profilaxia e de prevenção no caso de viagens para zonas endémicas de malária.
- Pelos efeitos, parece que o Pui-li foi infectado pelo Plasmidium Vivax, Malariae ou Ovale. – opinou o Jimmy. – Ainda bem que não é dos mais graves...
- Mas temos de levar o Pui-li ao hospital. – disse o Samuel. – A malária é uma doença mortal.
- Mas estamos perdidos... – suspirou o Igor.
- Vamos analisar o Pui-li como deve ser, não nos precipitemos, pode ser que isto seja um falso alarme... – aconselhou o Alan.
O Samuel dirigiu-se ao Pui-li e examinou o seu corpo o melhor que pôde.
- Sentes comichão nalgum sítio? – questionou o Samuel.
- Na perna. – respondeu o Pui-li, coçando-se.
Samuel analisou a perna e constatou o que já esperavam: Pui-li foi picado por um mosquito.
- O Pui-li foi mordido por um mosquito contaminado. – analisou o Samuel.
- Temos de levar o Pui-li ao hospital o mais depressa possível... – disse a Liliane.
- Mas como? Se estamos perdidos? Está a começar a escurecer! – suspirou o Doug.
- Não podemos desistir agora, vamos à procura das cabanas, devem estar para aqui perto... – disse o Jimmy.
Pui-li sentia-se fraco, com dores musculares e de cabeça, calor, suor, exaustão, falta de ar e palpitações.
- O Pui-li está tão pálido! Acho que são os efeitos da anemia. – opinou o Samuel.
Caminharam pela floresta dentro seguindo as instruções do Jimmy. Liliane e Samuel ajudavam o Pui-li a deslocar-se.
Passado duas horas, Pui-li não aguentou a pressão e desmaiou.
Acharam melhor não acordá-lo para não forçá-lo a andar mais. Igor ofereceu-se para levá-lo ao colo. Samuel largou o pequeno leão na floresta. Sabia que Pui-li iria embirrar com ele, mas Pui-li não estava em condições de tratar de um animal, estando ele próprio, em risco de vida.
Ouviram o ruído de tambores e de pessoas a cantar. Estavam perto da tribo Wawihe.
Passado vinte minutos já os conseguiam ver a dançar e a tocar tambores em volta de uma fogueira.
Resolveram ir ter com eles, mas não interrompê-los, pois isso podia ofendê-los e poderia dar bronca. Mas não foi preciso, o chefe deles mandou parar a festa.
- Quem são vocês? – interrogou ele.
Pelo tom de voz via-se que era autoritário, mas não mostrava raiva de todo. Estava mais era ofendido por estarem a interromper, mas é tão raro receber visitas.
- Somos uns míseros habitantes locais a passear turistas. – respondeu o Igor, que pelos vistos já conhecia aquela gente.
O chefe chamava-se Ambujaal e tinha oito anos.
- Temos um colega infectado com malária. – informou o Igor. – Ainda por cima estamos perdidos... deixa-nos ficar aqui pelo menos esta noite?
- Claro. – concordou o Ambujaal. – Juntem-se à festa!
Os tambores começaram a tocar e toda a gente a dançar. Pui-li foi levado para uma cabana onde um jovem chamado Sarabel tentou tomar conta dele.
Na festa todos se divertiam. Cantavam, dançavam, comiam e bebiam.
- Vou fazer mais uma tatuagem. – informou o Ambujaal. – Se também quiserdes fazer uma estejam à vontade.
Doug ofereceu-se para fazer uma tatuagem no braço.
Depois de longas horas de grande sofrimento por parte de Doug, a tatuagem ficou pronta. Valeu mesmo o esforço, pois ela era muito bonita.
ü
Sarabel estava a fazer um trabalho impecável. Cuidou das feridas de Pui-li e deu-lhe um dieta para minimizar os efeitos da anemia. Sarabel contou a Pui-li que a sua irmã mais nova de quatro anos morreu por causa da malária:
- Foi picada por um mosquito Plasmodium falciparum. – Tem de ir ao hospital o mais depressa possível se não quiser acabar como a minha irmã.
ü
A dança dos Wawihe era cheia de ritmo. Dançavam à volta da fogueira a cantar. E o mais engraçado eram as máscaras que usavam.
- Quero apresentar-vos o meu amante, Dattrola. – apresentou o chefe Ambujaal.
- Muito prazer! – espantaram-se todos.
- O senhor é homossexual? – perguntou o Igor, que era muito descarado.
- Sim. – respondeu o chefe Ambujaal. – Na tribo Wawihe temos uma ideia completamente diferente face à homossexualidade. Aqui, os homens podem pedir aos pais a mão dos seus filhos em troca de oferendas. Normalmente aceitam e os dois amantes vão viver juntos numa cabana. O parceiro mais novo permanecerá amante do mais velho até este decidir casar com uma mulher. Se não quiser, eles podem continuar a ser amantes.
- Muito interessante! – admirou-se o Igor.
- Sabe o caminho das cabanas de aluguer de Luanda? – questionou o Samuel.
- Sei. – respondeu o chefe Ambujaal. – Amanhã ensinar-vos-ei o caminho.
ü
Pui-li encontrava-se a dormir e Sarabel não conseguiu conter-se: deu-lhe um beijo nos lábios muito ao de leve para ele não notar. Sarabel nunca tinha visto turista tão bonito... nunca tinha visto ninguém com aquele tom de pele, com aqueles olhos rasgados e muito menos com aquela amabilidade e inocência que Pui-li tinha. Sarabel começou a pensar que ele tinha vindo de outro planeta. Mas descobriu que ele tinha nascido no Japão (país que nunca tinha ouvido falar), mas pelos vistos era do planeta Terra. E mais uma coisa que Sarabel aprendeu entretanto: existem três raças diferentes: a negra e a branca que já conhecia e a amarela, que pelos vistos nunca tinha encontrado ninguém dessa raça.
- Mas há uma primeira vez para tudo! – exclamou o Sarabel, dando-lhe outro beijo muito leve.
Pui-li andava alheio perante esta prova de amor, pois estava a dormir como um “anjo”.
A Sarabel custou-lhe a acreditar que estava irremediavelmente apaixonado por aquele rapaz doente que nunca tinha visto antes.
Sarabel deu-lhe outro beijo. Sabia tão bem! Aqueles lábios cor-de-laranja muito finos e macios... mas que prazer! Sempre que beijava Pui-li sentia uma aura mágica e maravilhosa, a aura vermelha do amor.
[1] Texto retirado da Diciopédia 2004 da Porto Editora
Os Pequenos Grandes Heróis e os seus acompanhantes andaram pela selva sempre à escuta de sons estranhos. Se algum animal selvagem ou um mutante aparecesse, davam-lhe logo um tiro.
Liliane ajudava o Pui-li no mais que podia. Enquanto estavam a caminhar, Pui-li desmaiou nos braços de Liliane.
- O Pui-li desmaiou! – gritou a Liliane. – Acho que está cheio de febre, a cabeça pareceu-me quente!
Todos correram para junto do Pui-li. Este estava a suar imenso e queixava-se de dores musculares e de cabeça.
- Oh, não! – exclamou o Samuel, examinando os sintomas.
- O que é que o Pui-li tem? – perguntou a Liliane, preocupada.
- Malária. – respondeu o Samuel.
- Oh, não! – exclamaram a Liliane, o Doug e o Jimmy.
- O que podemos fazer para ajudá-lo? – inquiriu a Liliane.
- Nada. – responderam o Samuel e o Igor.
- O que é a malária? – quis saber o Alan.
O Jimmy foi pesquisar «malária» na Internet e leu a resposta:
[1]A malária é uma doença provocada por algumas espécies de protozoários pertencentes ao género Plasmodium, nomeadamente Plasmodium falciparum (provoca o tipo mais grave de malária), Plasmodium Vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. É uma das doenças infecciosas humanas mais amplamente disseminadas, apresentando-se como endémica em muitos países de África, Ásia e América Latina, embora se verifiquem frequentes casos em outras zonas do globo, devido ao fluxo de viajantes e turistas. O modo de transmissão da malária é complexo, envolvendo um hospedeiro intermediário obrigatório (mosquitos do género Anopheles) antes de infectar o homem. O Plasmodium passa por diversas metamorfoses ao longo do ciclo de infecção. Resumidamente: quando um mosquito infectado pica, passam esporozóitos (uma das formas da metamorfose do Plasmodium) para o sangue, dirigindo-se rapidamente para o fígado, onde invadem as células hepáticas, dentro das quais se dividem rápida e assexuadamente, originando merozóitos. No fígado, quando a célula hospedeira rebenta, os merozóitos são libertados para a corrente sanguínea, onde invadem as hemácias (glóbulos vermelhos), originando trofozóitos, que se continuam a dividir assexuadamente, originando mais merozóitos, que são, de novo, libertados para a corrente sanguínea por rebentamento das hemácias, num ciclo de feedback positivo de infecção. Dentro das hemácias, alguns merozóitos vão diferenciar-se em células sexuais masculinas e femininas (gametócitos), as quais podem ser transmitidas aos mosquitos que piquem um doente. Uma vez no insecto, quando ocorre a digestão das hemácias, os gametócitos ficam livres e unem-se formando um oocisto nas paredes do estômago, aí desenvolve-se um esporozóito que, quando maduro, migra para as glândulas salivares do mosquito, reiniciando o ciclo de infecção. Os sintomas ocorrem durante a fase de infecção das hemácias, cerca de 10 a 16 dias após a entrada do protozoário no organismo. Ocorrem ciclos de febres altas, suor, dores musculares e de cabeça, tornando o doente fraco, exausto e anémico. O tempo de cada ciclo de febre varia consoante a espécie de Plasmodium responsável pela infecção, sendo vulgar a alternância de períodos de bem-estar com períodos de doença nos casos de malária benigna (P. vivax, P. malariae e P. Ovale), até que podem acabar por desaparecer espontaneamente. Nos casos de infecção por P. Falciparum, a febre e os sintomas são mais persistentes, podendo ocorrer aumento do volume cerebral e pulmonar, bem como um bloqueio da actividade hepática. A taxa de mortalidade é elevada se não for tratada imediatamente, o que ocorre, em parte, devido ao bloqueio dos capilares e vénulas, pelas hemácias destruídas. Durante quase cem anos o tratamento foi realizado apenas com recurso ao quinino, sendo que actualmente se aplica a terapia conjunta da cloroquina (destrói merozóitos no sangue) e da primaquina (actua ao nível do fígado). Como não existe vacina, a prevenção à doença centra-se na erradicação dos mosquitos (hospedeiros intermédios obrigatórios para o agente infeccioso), em evitar as suas picadas (por exemplo, através do recurso a repelentes) e na tomada das drogas usadas para o tratamento, como medida de profilaxia e de prevenção no caso de viagens para zonas endémicas de malária.
- Pelos efeitos, parece que o Pui-li foi infectado pelo Plasmidium Vivax, Malariae ou Ovale. – opinou o Jimmy. – Ainda bem que não é dos mais graves...
- Mas temos de levar o Pui-li ao hospital. – disse o Samuel. – A malária é uma doença mortal.
- Mas estamos perdidos... – suspirou o Igor.
- Vamos analisar o Pui-li como deve ser, não nos precipitemos, pode ser que isto seja um falso alarme... – aconselhou o Alan.
O Samuel dirigiu-se ao Pui-li e examinou o seu corpo o melhor que pôde.
- Sentes comichão nalgum sítio? – questionou o Samuel.
- Na perna. – respondeu o Pui-li, coçando-se.
Samuel analisou a perna e constatou o que já esperavam: Pui-li foi picado por um mosquito.
- O Pui-li foi mordido por um mosquito contaminado. – analisou o Samuel.
- Temos de levar o Pui-li ao hospital o mais depressa possível... – disse a Liliane.
- Mas como? Se estamos perdidos? Está a começar a escurecer! – suspirou o Doug.
- Não podemos desistir agora, vamos à procura das cabanas, devem estar para aqui perto... – disse o Jimmy.
Pui-li sentia-se fraco, com dores musculares e de cabeça, calor, suor, exaustão, falta de ar e palpitações.
- O Pui-li está tão pálido! Acho que são os efeitos da anemia. – opinou o Samuel.
Caminharam pela floresta dentro seguindo as instruções do Jimmy. Liliane e Samuel ajudavam o Pui-li a deslocar-se.
Passado duas horas, Pui-li não aguentou a pressão e desmaiou.
Acharam melhor não acordá-lo para não forçá-lo a andar mais. Igor ofereceu-se para levá-lo ao colo. Samuel largou o pequeno leão na floresta. Sabia que Pui-li iria embirrar com ele, mas Pui-li não estava em condições de tratar de um animal, estando ele próprio, em risco de vida.
Ouviram o ruído de tambores e de pessoas a cantar. Estavam perto da tribo Wawihe.
Passado vinte minutos já os conseguiam ver a dançar e a tocar tambores em volta de uma fogueira.
Resolveram ir ter com eles, mas não interrompê-los, pois isso podia ofendê-los e poderia dar bronca. Mas não foi preciso, o chefe deles mandou parar a festa.
- Quem são vocês? – interrogou ele.
Pelo tom de voz via-se que era autoritário, mas não mostrava raiva de todo. Estava mais era ofendido por estarem a interromper, mas é tão raro receber visitas.
- Somos uns míseros habitantes locais a passear turistas. – respondeu o Igor, que pelos vistos já conhecia aquela gente.
O chefe chamava-se Ambujaal e tinha oito anos.
- Temos um colega infectado com malária. – informou o Igor. – Ainda por cima estamos perdidos... deixa-nos ficar aqui pelo menos esta noite?
- Claro. – concordou o Ambujaal. – Juntem-se à festa!
Os tambores começaram a tocar e toda a gente a dançar. Pui-li foi levado para uma cabana onde um jovem chamado Sarabel tentou tomar conta dele.
Na festa todos se divertiam. Cantavam, dançavam, comiam e bebiam.
- Vou fazer mais uma tatuagem. – informou o Ambujaal. – Se também quiserdes fazer uma estejam à vontade.
Doug ofereceu-se para fazer uma tatuagem no braço.
Depois de longas horas de grande sofrimento por parte de Doug, a tatuagem ficou pronta. Valeu mesmo o esforço, pois ela era muito bonita.
ü
Sarabel estava a fazer um trabalho impecável. Cuidou das feridas de Pui-li e deu-lhe um dieta para minimizar os efeitos da anemia. Sarabel contou a Pui-li que a sua irmã mais nova de quatro anos morreu por causa da malária:
- Foi picada por um mosquito Plasmodium falciparum. – Tem de ir ao hospital o mais depressa possível se não quiser acabar como a minha irmã.
ü
A dança dos Wawihe era cheia de ritmo. Dançavam à volta da fogueira a cantar. E o mais engraçado eram as máscaras que usavam.
- Quero apresentar-vos o meu amante, Dattrola. – apresentou o chefe Ambujaal.
- Muito prazer! – espantaram-se todos.
- O senhor é homossexual? – perguntou o Igor, que era muito descarado.
- Sim. – respondeu o chefe Ambujaal. – Na tribo Wawihe temos uma ideia completamente diferente face à homossexualidade. Aqui, os homens podem pedir aos pais a mão dos seus filhos em troca de oferendas. Normalmente aceitam e os dois amantes vão viver juntos numa cabana. O parceiro mais novo permanecerá amante do mais velho até este decidir casar com uma mulher. Se não quiser, eles podem continuar a ser amantes.
- Muito interessante! – admirou-se o Igor.
- Sabe o caminho das cabanas de aluguer de Luanda? – questionou o Samuel.
- Sei. – respondeu o chefe Ambujaal. – Amanhã ensinar-vos-ei o caminho.
ü
Pui-li encontrava-se a dormir e Sarabel não conseguiu conter-se: deu-lhe um beijo nos lábios muito ao de leve para ele não notar. Sarabel nunca tinha visto turista tão bonito... nunca tinha visto ninguém com aquele tom de pele, com aqueles olhos rasgados e muito menos com aquela amabilidade e inocência que Pui-li tinha. Sarabel começou a pensar que ele tinha vindo de outro planeta. Mas descobriu que ele tinha nascido no Japão (país que nunca tinha ouvido falar), mas pelos vistos era do planeta Terra. E mais uma coisa que Sarabel aprendeu entretanto: existem três raças diferentes: a negra e a branca que já conhecia e a amarela, que pelos vistos nunca tinha encontrado ninguém dessa raça.
- Mas há uma primeira vez para tudo! – exclamou o Sarabel, dando-lhe outro beijo muito leve.
Pui-li andava alheio perante esta prova de amor, pois estava a dormir como um “anjo”.
A Sarabel custou-lhe a acreditar que estava irremediavelmente apaixonado por aquele rapaz doente que nunca tinha visto antes.
Sarabel deu-lhe outro beijo. Sabia tão bem! Aqueles lábios cor-de-laranja muito finos e macios... mas que prazer! Sempre que beijava Pui-li sentia uma aura mágica e maravilhosa, a aura vermelha do amor.
[1] Texto retirado da Diciopédia 2004 da Porto Editora
Capítulo 12
De volta às cabanas e mais um mutante
Pui-li acordou e sentiu-se bastante melhor. Olhou para os lados e não se familiarizou com o local.
- Mas onde é que eu estou? – quis saber o Pui-li, olhando o rapaz que dormia a seu lado. – E quem é este?
Sarabel sentiu que Pui-li estava acordado e levantou-se:
- Sou Sarabel e fiquei encarregado de tratar de si.
- Onde é que eu estou? – inquiriu o Pui-li.
- Está numa cabana da tribo Wawihe. – respondeu o Sarabel. – Pensei que já sabia, pois eu e o senhor falamos ontem à noite...
Pui-li dirigiu-se para a saída, mas Sarabel impediu-o:
- Não pode sair sem ajuda... o senhor está doente!
- Estou a sentir-me muito bem. – ripostou o Pui-li.
- Deve ter desmaiado para se ter esquecido que estava aqui... – aclamou o Sarabel.
- Sim, eu desmaiei... mas hoje sinto-me bem! Um pouco cansado, mas... bem! – disse o Pui-li.
- Mas a malária não se cura do dia para a noite, o senhor ainda está doente... – contrariou o Sarabel.
- Mas eu sinto-me bem... se calhar não tenho malária, deve ter sido do calor... – desdisse o Pui-li, saindo porta fora.
- Mas que teimoso! – admirou-se o Sarabel. – Uma pessoa quando está saudável fica tão arrogante! Mas... a sua voz e a sua espontaneidade são magníficas!
Os outros estavam a conversar com o chefe Ambujaal, ouvindo as suas indicações.
Liliane olhou para o lado e vê o Pui-li sem Sarabel para o ajudar e ainda por cima com cara de quem nunca esteve doente.
- Pui-li! – exclamou ela.
- Olá! – cumprimentou ele, muito feliz.
- Estás bem disposto! – reparou o Doug. – O que aconteceu?
- Nada. – respondeu o Pui-li. – Só acordei bem disposto sem febre nenhuma.
- Não aconteceu nada entre ti e o Sarabel? – questionou o chefe Ambujaal. – É que ele é cá uma bomba!
- O que quer dizer com isso? – interrogou o Pui-li.
- O Sarabel já foi meu amante e era cá uma brasa... mas terminamos porque ele casou-se com uma rapariga, mas continua a gostar de homens... – explicou o chefe Ambujaal.
Pui-li sentiu-se embaraçado. O Sarabel estava deitado a seu lado. Será que ele aproveitou-se dele enquanto estava desmaiado ou a dormir?
- Eu não sou homossexual. – afirmou o Pui-li.
Ficaram todos muito contentes por Pui-li encontrar-se bem, mas o Igor advertiu que ainda não estava curado, teria de ir ao hospital. A malária provocada por Plasmodium Vivax, Malariae ou Ovale é vulgar a alternância de períodos de bem-estar e de doença, mas também podem desaparecer espontaneamente.
- Já sabemos onde estão as cabanas, mas ficam mais longe do que eu pensava... – informou o Jimmy, ao Pui-li.
Suspiraram. Já estavam fartos de caminhar.
- Então vamos. De que é que estamos à espera? – perguntou o Doug, desejoso por chegar às cabanas e descansar.
- Lembram-se do trabalho que temos de fazer? – indagou o Samuel.
- Descobrir a cena dos mutantes. – respondeu o Pui-li.
- Eu tenho medo... – tremeu a Liliane.
- Eu protejo-te, miúda. – prometeu o Pui-li.
- Desaparece, palerma. – bramou a Liliane.
Pui-li não conseguiu conter uma gargalhada.
- Do que é que te estás a rir, hediondo? – quis saber a Liliane.
- Dos nomes que me chamas. – respondeu o Pui-li. – Mas no fundo, no fundo tu gostas de mim...
- Não sejas parvo. – ripostou a Liliane. – Só por as outras gostarem de ti, não quer dizer que também goste de ti, seu estúpido.
Pui-li ficou triste pela maneira como ela o tratava. Estava a brincar com ela. Ele sabia que Liliane o odiava. Foi só para chateá-la um bocado, era tão divertido!
Despediram-se do chefe Ambujaal e do Sarabel, agradecendo-lhes.
- Pui-li, já te vais embora? – perguntou o Sarabel.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
- Cuida-te! Vai para o hospital o mais depressa possível... – aconselhou o Sarabel.
- Mas que chato! – pensou o Pui-li.
Embrenharam-se na floresta mais uma vez e tomaram o pequeno almoço debaixo de uma árvore à fresca.
- Ah, já me esquecia... o leão bebé? – questionou o Pui-li.
- Eu larguei-o na floresta. – respondeu o Samuel.
- Porquê? – interrogou o Pui-li. – Eu disse que queria que o leão ficasse comigo, eu queria tomar conta dele... ele está ferido... vai morrer...
- Está descansado, o leão não estava assim tão ferido e a selva é o seu ambiente natural, nunca iria gostar que tomasses conta dele... se morrer, olha, paciência! – tranquilizou o Samuel.
Pui-li ficou amuado e começou a sentir a cabeça a latejar. Os músculos começaram a ficar rijos dificultando-lhe os movimentos e a cabeça estava mais quente que nunca. Pui-li começou a suar.
- Pui-li estás a sentir-te mal? – inquiriu o Alan.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
- Eu não disse? – ripostou o Igor.
Alan foi para junto de Pui-li e ajudou-o a levantar-se.
- Vamos. – disse. – Temos de ir ao hospital o mais depressa possível.
Andaram pela floresta e passado algumas horas, Pui-li esgotou-se completamente e desmaiou.
Alan acordou-o e deu-lhe uma garrafa de água para beber.
- A malária dá anemia. – informou o Samuel.
- Coitado do Pui-li! – deixou escapar a Liliane.
- Preocupas-te comigo? – admirou-se o Pui-li.
- Claro, sou tua amiga. – embaraçou-se a Liliane.
Continuaram a andar e chegaram a uma praia onde o mar estava sujo e a fazer bolhas: a praia Barreira Negra.
- Bem, estou a ver que há muito poluição por aqui... – começou o Doug, que estava acostumado a ver praias limpas com mar azul.
- Vou ver se descubro mais qualquer coisa. Sou biólogo marinho e posso investigar a presumível contaminação das águas do mar através de observações aos peixes. – disse o Alan.
- Agora não temos tempo... – discordou o Samuel, olhando para o Pui-li.
- Tens razão, fica para outra altura. – concordou o Alan.
Continuaram a caminho e não repararam num mutante a sair do mar.
O inspector Hugo Faria estava desesperado com os membros da nova patrulha, pois não deram notícias desde que chegaram a Angola. Já estava a ficar preocupado e chegou a pensar como é que um construtor civil, um biólogo marinho, um surfista, um engenheiro informático, um veterinário e uma modelo sem experiência nenhuma no mundo da investigação poderiam algum dia descobrir o mistério dos mutantes. Pensou que a organização de uma nova patrulha tinha sido um erro, mas o inspector chefe Mendonça Soares teimava em dizer que a nova patrulha era um máximo.
- Ele é que é o profissional... – pensou o Hugo.
Estava a escurecer e os Pequenos Grandes Heróis ouviram um rugido furioso.
- O que é isto? – inquiriu a Liliane, medrosa. – Um leão ou um tigre?
- Não, este rugido é de um ser humano. – desdisse o Pui-li. – Mas parece ter tido uma modificação qualquer.
- Um rugido de um humano mutante? – possibilitou a Liliane, a medo.
- Talvez. – respondeu o Pui-li.
Desataram aos berros.
- Vamos ter calma, está bem? – tentou acalmar o Samuel. – Temos armas.
Ouviram um som vindo dos arbustos.
- Quem está aí? – perguntou o Samuel, com a espingarda à sua frente pronta a disparar.
- Não me façam mal. – suplicou alguém por detrás dos arbustos.
- Então, saia. – pediu o Samuel.
A criatura saiu a medo.
- Não disparem contra mim... – choramingou o mutante.
- Como te chamas? – perguntou o Samuel.
- Mohamed. – respondeu ele.
- Como ficaste assim? – quis saber Liliane, horrorizada.
- Não sei bem... eu quando saí da água do mar da praia Barreira Negra vi a minha irmã com cara de mutante e assustei-me, mas a minha irmã também gritou. Nós descobrimos um pelo outro que estávamos transformados nisto... – explicou o Mohamed. – Eu não encontro a minha irmã em lado nenhum, estou à procura dela e...
Mohamed foi interrompido pela horrível imagem que captou: eles tinham a sua irmã... morta!
- O que foi? – questionou o Samuel.
- Vocês mataram a minha irmã! Vocês mataram a minha irmã!! Vou matar-vos!!! – gritou Mohamed, à beira da loucura.
Não era caso para menos. Ele adorava a irmã mais nova. Era a sua única família e sua única amiga, agora ela estava ali... morta. Além disso, foi ele é que sugeriu irem à praia da Barreira Negra, onde tinha ido ele e mais ela à três anos atrás com apenas seis anos e ele com catorze. Era por culpa dele que eles se tornaram mutantes horríveis e feios e a irmã estava ali... morta.
Mohamed começou a chorar.
- Desculpa, nós nem sequer sabíamos que ela era uma pessoa... – desculpou-se o Igor.
Mohamed avançou para eles pronto para se vingar, mas Igor disparou um tiro nele e ele morreu.
- Vamos deixá-lo aqui? – indagou o Igor.
- Sim, já temos um para análise. – respondeu o Samuel.
- Agora sabemos que aquela água é contaminada com produtos tóxicos. – começou o Alan.
- Depois vamos investigar, agora temos outros assuntos a tratar e além disso merecemos descansar. – disse o Samuel.
Andaram mais um pouco e depararam-se com as cabanas.
- Aleluia! – exclamou a Liliane. – Vou poder deitar-me numa cama como deve ser...
- Amanhã de manhã levaremos o Pui-li ao hospital, agora vamos descansar. – disse o Samuel.
- Sim!!! – suspiraram todos de felicidade.
- Vou mandar um mail ao inspector Hugo Faria. – disse o Jimmy.
De: jimmy_mcguire@hotmail.com
Para: hugo_faria@yahoo.com.br
Assunto: informações
Inspector Hugo Faria desculpe nós não termos enviado nenhuma notícia, pois ainda não começamos as investigações. Nós fomos fazer um safari e perdemo-nos. Encontrámos um mutante e matámo-lo e vamos levá-lo ao Centro de Investigação em África do Sul.
Hoje encontrámos outro e acabámos por matá-lo, pois ele quis matar-nos porque o mutante que tínhamos morto era a irmã dele. Mas descobrimos uma coisa muito interessante: eles tinham tomado banho no mar da praia Barreira Negra e conseguimos vislumbrar mais ou menos o mar: tinha um aspecto poluído e contaminado. Vamos investigar isso o mais depressa possível.
Enquanto estivemos perdidos, nós dormimos numas cabanas da tribo Wawihe. São muito simpáticos!
Mas nem tudo foi um mar de rosas, pois descobrimos que o Pui-li tem malária, mas não é muito grave (graças a Deus) e vamos levá-lo ao hospital amanhã de manhã. Acredita que um acompanhante nosso, o Igor, atropelou um leão bebé e Pui-li foi tratar dele? Queria levá-lo connosco! E ficou ofendido por Samuel ter largado o leão no meio da selva e ficou todo preocupado com ele...
Bom, vou despedir-me!
Cumprimentos, por parte de toda a equipa!
Pui-li acordou e sentiu-se bastante melhor. Olhou para os lados e não se familiarizou com o local.
- Mas onde é que eu estou? – quis saber o Pui-li, olhando o rapaz que dormia a seu lado. – E quem é este?
Sarabel sentiu que Pui-li estava acordado e levantou-se:
- Sou Sarabel e fiquei encarregado de tratar de si.
- Onde é que eu estou? – inquiriu o Pui-li.
- Está numa cabana da tribo Wawihe. – respondeu o Sarabel. – Pensei que já sabia, pois eu e o senhor falamos ontem à noite...
Pui-li dirigiu-se para a saída, mas Sarabel impediu-o:
- Não pode sair sem ajuda... o senhor está doente!
- Estou a sentir-me muito bem. – ripostou o Pui-li.
- Deve ter desmaiado para se ter esquecido que estava aqui... – aclamou o Sarabel.
- Sim, eu desmaiei... mas hoje sinto-me bem! Um pouco cansado, mas... bem! – disse o Pui-li.
- Mas a malária não se cura do dia para a noite, o senhor ainda está doente... – contrariou o Sarabel.
- Mas eu sinto-me bem... se calhar não tenho malária, deve ter sido do calor... – desdisse o Pui-li, saindo porta fora.
- Mas que teimoso! – admirou-se o Sarabel. – Uma pessoa quando está saudável fica tão arrogante! Mas... a sua voz e a sua espontaneidade são magníficas!
Os outros estavam a conversar com o chefe Ambujaal, ouvindo as suas indicações.
Liliane olhou para o lado e vê o Pui-li sem Sarabel para o ajudar e ainda por cima com cara de quem nunca esteve doente.
- Pui-li! – exclamou ela.
- Olá! – cumprimentou ele, muito feliz.
- Estás bem disposto! – reparou o Doug. – O que aconteceu?
- Nada. – respondeu o Pui-li. – Só acordei bem disposto sem febre nenhuma.
- Não aconteceu nada entre ti e o Sarabel? – questionou o chefe Ambujaal. – É que ele é cá uma bomba!
- O que quer dizer com isso? – interrogou o Pui-li.
- O Sarabel já foi meu amante e era cá uma brasa... mas terminamos porque ele casou-se com uma rapariga, mas continua a gostar de homens... – explicou o chefe Ambujaal.
Pui-li sentiu-se embaraçado. O Sarabel estava deitado a seu lado. Será que ele aproveitou-se dele enquanto estava desmaiado ou a dormir?
- Eu não sou homossexual. – afirmou o Pui-li.
Ficaram todos muito contentes por Pui-li encontrar-se bem, mas o Igor advertiu que ainda não estava curado, teria de ir ao hospital. A malária provocada por Plasmodium Vivax, Malariae ou Ovale é vulgar a alternância de períodos de bem-estar e de doença, mas também podem desaparecer espontaneamente.
- Já sabemos onde estão as cabanas, mas ficam mais longe do que eu pensava... – informou o Jimmy, ao Pui-li.
Suspiraram. Já estavam fartos de caminhar.
- Então vamos. De que é que estamos à espera? – perguntou o Doug, desejoso por chegar às cabanas e descansar.
- Lembram-se do trabalho que temos de fazer? – indagou o Samuel.
- Descobrir a cena dos mutantes. – respondeu o Pui-li.
- Eu tenho medo... – tremeu a Liliane.
- Eu protejo-te, miúda. – prometeu o Pui-li.
- Desaparece, palerma. – bramou a Liliane.
Pui-li não conseguiu conter uma gargalhada.
- Do que é que te estás a rir, hediondo? – quis saber a Liliane.
- Dos nomes que me chamas. – respondeu o Pui-li. – Mas no fundo, no fundo tu gostas de mim...
- Não sejas parvo. – ripostou a Liliane. – Só por as outras gostarem de ti, não quer dizer que também goste de ti, seu estúpido.
Pui-li ficou triste pela maneira como ela o tratava. Estava a brincar com ela. Ele sabia que Liliane o odiava. Foi só para chateá-la um bocado, era tão divertido!
Despediram-se do chefe Ambujaal e do Sarabel, agradecendo-lhes.
- Pui-li, já te vais embora? – perguntou o Sarabel.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
- Cuida-te! Vai para o hospital o mais depressa possível... – aconselhou o Sarabel.
- Mas que chato! – pensou o Pui-li.
Embrenharam-se na floresta mais uma vez e tomaram o pequeno almoço debaixo de uma árvore à fresca.
- Ah, já me esquecia... o leão bebé? – questionou o Pui-li.
- Eu larguei-o na floresta. – respondeu o Samuel.
- Porquê? – interrogou o Pui-li. – Eu disse que queria que o leão ficasse comigo, eu queria tomar conta dele... ele está ferido... vai morrer...
- Está descansado, o leão não estava assim tão ferido e a selva é o seu ambiente natural, nunca iria gostar que tomasses conta dele... se morrer, olha, paciência! – tranquilizou o Samuel.
Pui-li ficou amuado e começou a sentir a cabeça a latejar. Os músculos começaram a ficar rijos dificultando-lhe os movimentos e a cabeça estava mais quente que nunca. Pui-li começou a suar.
- Pui-li estás a sentir-te mal? – inquiriu o Alan.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
- Eu não disse? – ripostou o Igor.
Alan foi para junto de Pui-li e ajudou-o a levantar-se.
- Vamos. – disse. – Temos de ir ao hospital o mais depressa possível.
Andaram pela floresta e passado algumas horas, Pui-li esgotou-se completamente e desmaiou.
Alan acordou-o e deu-lhe uma garrafa de água para beber.
- A malária dá anemia. – informou o Samuel.
- Coitado do Pui-li! – deixou escapar a Liliane.
- Preocupas-te comigo? – admirou-se o Pui-li.
- Claro, sou tua amiga. – embaraçou-se a Liliane.
Continuaram a andar e chegaram a uma praia onde o mar estava sujo e a fazer bolhas: a praia Barreira Negra.
- Bem, estou a ver que há muito poluição por aqui... – começou o Doug, que estava acostumado a ver praias limpas com mar azul.
- Vou ver se descubro mais qualquer coisa. Sou biólogo marinho e posso investigar a presumível contaminação das águas do mar através de observações aos peixes. – disse o Alan.
- Agora não temos tempo... – discordou o Samuel, olhando para o Pui-li.
- Tens razão, fica para outra altura. – concordou o Alan.
Continuaram a caminho e não repararam num mutante a sair do mar.
O inspector Hugo Faria estava desesperado com os membros da nova patrulha, pois não deram notícias desde que chegaram a Angola. Já estava a ficar preocupado e chegou a pensar como é que um construtor civil, um biólogo marinho, um surfista, um engenheiro informático, um veterinário e uma modelo sem experiência nenhuma no mundo da investigação poderiam algum dia descobrir o mistério dos mutantes. Pensou que a organização de uma nova patrulha tinha sido um erro, mas o inspector chefe Mendonça Soares teimava em dizer que a nova patrulha era um máximo.
- Ele é que é o profissional... – pensou o Hugo.
Estava a escurecer e os Pequenos Grandes Heróis ouviram um rugido furioso.
- O que é isto? – inquiriu a Liliane, medrosa. – Um leão ou um tigre?
- Não, este rugido é de um ser humano. – desdisse o Pui-li. – Mas parece ter tido uma modificação qualquer.
- Um rugido de um humano mutante? – possibilitou a Liliane, a medo.
- Talvez. – respondeu o Pui-li.
Desataram aos berros.
- Vamos ter calma, está bem? – tentou acalmar o Samuel. – Temos armas.
Ouviram um som vindo dos arbustos.
- Quem está aí? – perguntou o Samuel, com a espingarda à sua frente pronta a disparar.
- Não me façam mal. – suplicou alguém por detrás dos arbustos.
- Então, saia. – pediu o Samuel.
A criatura saiu a medo.
- Não disparem contra mim... – choramingou o mutante.
- Como te chamas? – perguntou o Samuel.
- Mohamed. – respondeu ele.
- Como ficaste assim? – quis saber Liliane, horrorizada.
- Não sei bem... eu quando saí da água do mar da praia Barreira Negra vi a minha irmã com cara de mutante e assustei-me, mas a minha irmã também gritou. Nós descobrimos um pelo outro que estávamos transformados nisto... – explicou o Mohamed. – Eu não encontro a minha irmã em lado nenhum, estou à procura dela e...
Mohamed foi interrompido pela horrível imagem que captou: eles tinham a sua irmã... morta!
- O que foi? – questionou o Samuel.
- Vocês mataram a minha irmã! Vocês mataram a minha irmã!! Vou matar-vos!!! – gritou Mohamed, à beira da loucura.
Não era caso para menos. Ele adorava a irmã mais nova. Era a sua única família e sua única amiga, agora ela estava ali... morta. Além disso, foi ele é que sugeriu irem à praia da Barreira Negra, onde tinha ido ele e mais ela à três anos atrás com apenas seis anos e ele com catorze. Era por culpa dele que eles se tornaram mutantes horríveis e feios e a irmã estava ali... morta.
Mohamed começou a chorar.
- Desculpa, nós nem sequer sabíamos que ela era uma pessoa... – desculpou-se o Igor.
Mohamed avançou para eles pronto para se vingar, mas Igor disparou um tiro nele e ele morreu.
- Vamos deixá-lo aqui? – indagou o Igor.
- Sim, já temos um para análise. – respondeu o Samuel.
- Agora sabemos que aquela água é contaminada com produtos tóxicos. – começou o Alan.
- Depois vamos investigar, agora temos outros assuntos a tratar e além disso merecemos descansar. – disse o Samuel.
Andaram mais um pouco e depararam-se com as cabanas.
- Aleluia! – exclamou a Liliane. – Vou poder deitar-me numa cama como deve ser...
- Amanhã de manhã levaremos o Pui-li ao hospital, agora vamos descansar. – disse o Samuel.
- Sim!!! – suspiraram todos de felicidade.
- Vou mandar um mail ao inspector Hugo Faria. – disse o Jimmy.
De: jimmy_mcguire@hotmail.com
Para: hugo_faria@yahoo.com.br
Assunto: informações
Inspector Hugo Faria desculpe nós não termos enviado nenhuma notícia, pois ainda não começamos as investigações. Nós fomos fazer um safari e perdemo-nos. Encontrámos um mutante e matámo-lo e vamos levá-lo ao Centro de Investigação em África do Sul.
Hoje encontrámos outro e acabámos por matá-lo, pois ele quis matar-nos porque o mutante que tínhamos morto era a irmã dele. Mas descobrimos uma coisa muito interessante: eles tinham tomado banho no mar da praia Barreira Negra e conseguimos vislumbrar mais ou menos o mar: tinha um aspecto poluído e contaminado. Vamos investigar isso o mais depressa possível.
Enquanto estivemos perdidos, nós dormimos numas cabanas da tribo Wawihe. São muito simpáticos!
Mas nem tudo foi um mar de rosas, pois descobrimos que o Pui-li tem malária, mas não é muito grave (graças a Deus) e vamos levá-lo ao hospital amanhã de manhã. Acredita que um acompanhante nosso, o Igor, atropelou um leão bebé e Pui-li foi tratar dele? Queria levá-lo connosco! E ficou ofendido por Samuel ter largado o leão no meio da selva e ficou todo preocupado com ele...
Bom, vou despedir-me!
Cumprimentos, por parte de toda a equipa!
Capítulo 13
O tratamento do Pui-li
Três da manhã. Pui-li acordou com vontade de vomitar e foi à casa de banho às corridas e vomitou na sanita.
Liliane ouviu alguém a vomitar e foi espreitar.
- Pui-li estás bem? – perguntou ela, preocupada.
- Não estou nada bem... – gemeu o Pui-li.
- Vamos já para o hospital... – disse a Liliane. – Toca a levantar, meninos! Vamos levar o Pui-li ao hospital, ele está muito doente...
- Queremos dormir... – suspirou o Doug.
- Mas o Pui-li está doente... – disse a Liliane.
Levantaram-se e vestiram as roupas, mas a Liliane fechou-se na casa de banho para se vestir.
Pegaram num jipe e levaram-no para o serviço de urgência.
O Pui-li foi imediatamente atendido.
Levaram-no para uma ala hospitalar onde lhe injectaram cloroquina e primaquina.
- Como está o Pui-li? – quis saber a Liliane.
- Tem malária Plasmodium Vivax e anemia, devido à destruição dos glóbulos vermelhos. – respondeu o enfermeiro.
- Ele pode morrer? – inquiriu a Liliane.
- Sim, mas vamos fazer o possível para isso não acontecer. – respondeu o enfermeiro.
Ficaram todos muito preocupados.
Pui-li estava a receber a sua dose de cloroquina e de primaquina e estava a notar a diferença. Agora sentia-se muito melhor.
O médico foi vê-lo e perguntou:
- Está melhor?
- Sim, muito melhor. – respondeu.
- Para a próxima vai usar repelente para mosquitos sempre que for para uma zona endémica da malária. Diga isto aos seus amigos. – aconselhou o médico.
- Sim, eu digo. – assegurou o Pui-li. – Mas quanto tempo eu tenho de ficar aqui no hospital?
- Pelo menos uma semana a ser injectado com cloroquina e primaquina. – respondeu o médico. – Mas também vai ter de ter cuidado com a anemia e fazer uma dieta especial. Tenho de lhe fazer análises ao sangue e às fezes para ver se a anemia melhora.
- Nunca vou recuperar da anemia ou da malária? – inquiriu o Pui-li.
- Já está a fazer tratamento para as duas... a sua sorte foi a malária não estar muito avançada. – disse o médico.
O médico foi lá fora falar com os Pequenos Grandes Heróis:
- O Pui-li está a recuperar bem. O estado da malária não está muito avançado, mas mesmo assim vai ter que estar no hospital durante uma semana a ser injectado com cloroquina e primaquina e vai ter de fazer análises às fezes e ao sangue para ver os resultados. Mas uma coisa é certa: vai ter de fazer uma dieta especial à base de ferro por causa da anemia. – informou o médico. – Mas deixo-vos aqui um conselho: sempre que vocês forem para uma zona endémica da malária usem sempre repelentes para mosquitos, pois ainda não existe vacinas para prevenção da doença.
Foram visitar o Pui-li que neste momento estava a tomar um remédio cor-de-laranja contra a anemia.
- Estás melhor? – indagou o Doug.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Liliane ficou horrorizada com as duas injecções que o Pui-li estava a levar, uma em cada braço.
Liliane sempre teve medo de ir a hospitais, pois uma vez quando era pequena apanhou um gastrenterite e teve que ficar dois dias no hospital a levar soro.
- Bom, vamos para casa, pois estamos cheios de sono. Não te importas, pois não, Pui-li? – inquiriu o Samuel.
- Não. – respondeu o Pui-li. – Vocês merecem descansar e por culpa minha não puderam dormir o sono que queriam...
- Deixa-te disso, os amigos servem para isso mesmo. – abonou o Alan.
- Obrigado! – agradeceu o Pui-li.
Ás nove da noite, os Pequenos Grandes Heróis foram visitar o Pui-li que se encontrava a jantar uma sopa de espinafres.
- Então? Como é a comida do hospital? – questionou o Doug.
- É mais ou menos. – respondeu o Pui-li.
- Eu mandei um mail ao inspector Hugo Faria e ele disse que queria que nós investigássemos o caso com ou sem o Pui-li. – afirmou o Jimmy.
- Por mim podem investigar à vontade enquanto estou no hospital. – disse o Pui-li.
- Então amanhã vamos investigar o caso dos mutantes. – declarou o Jimmy.
Três da manhã. Pui-li acordou com vontade de vomitar e foi à casa de banho às corridas e vomitou na sanita.
Liliane ouviu alguém a vomitar e foi espreitar.
- Pui-li estás bem? – perguntou ela, preocupada.
- Não estou nada bem... – gemeu o Pui-li.
- Vamos já para o hospital... – disse a Liliane. – Toca a levantar, meninos! Vamos levar o Pui-li ao hospital, ele está muito doente...
- Queremos dormir... – suspirou o Doug.
- Mas o Pui-li está doente... – disse a Liliane.
Levantaram-se e vestiram as roupas, mas a Liliane fechou-se na casa de banho para se vestir.
Pegaram num jipe e levaram-no para o serviço de urgência.
O Pui-li foi imediatamente atendido.
Levaram-no para uma ala hospitalar onde lhe injectaram cloroquina e primaquina.
- Como está o Pui-li? – quis saber a Liliane.
- Tem malária Plasmodium Vivax e anemia, devido à destruição dos glóbulos vermelhos. – respondeu o enfermeiro.
- Ele pode morrer? – inquiriu a Liliane.
- Sim, mas vamos fazer o possível para isso não acontecer. – respondeu o enfermeiro.
Ficaram todos muito preocupados.
Pui-li estava a receber a sua dose de cloroquina e de primaquina e estava a notar a diferença. Agora sentia-se muito melhor.
O médico foi vê-lo e perguntou:
- Está melhor?
- Sim, muito melhor. – respondeu.
- Para a próxima vai usar repelente para mosquitos sempre que for para uma zona endémica da malária. Diga isto aos seus amigos. – aconselhou o médico.
- Sim, eu digo. – assegurou o Pui-li. – Mas quanto tempo eu tenho de ficar aqui no hospital?
- Pelo menos uma semana a ser injectado com cloroquina e primaquina. – respondeu o médico. – Mas também vai ter de ter cuidado com a anemia e fazer uma dieta especial. Tenho de lhe fazer análises ao sangue e às fezes para ver se a anemia melhora.
- Nunca vou recuperar da anemia ou da malária? – inquiriu o Pui-li.
- Já está a fazer tratamento para as duas... a sua sorte foi a malária não estar muito avançada. – disse o médico.
O médico foi lá fora falar com os Pequenos Grandes Heróis:
- O Pui-li está a recuperar bem. O estado da malária não está muito avançado, mas mesmo assim vai ter que estar no hospital durante uma semana a ser injectado com cloroquina e primaquina e vai ter de fazer análises às fezes e ao sangue para ver os resultados. Mas uma coisa é certa: vai ter de fazer uma dieta especial à base de ferro por causa da anemia. – informou o médico. – Mas deixo-vos aqui um conselho: sempre que vocês forem para uma zona endémica da malária usem sempre repelentes para mosquitos, pois ainda não existe vacinas para prevenção da doença.
Foram visitar o Pui-li que neste momento estava a tomar um remédio cor-de-laranja contra a anemia.
- Estás melhor? – indagou o Doug.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Liliane ficou horrorizada com as duas injecções que o Pui-li estava a levar, uma em cada braço.
Liliane sempre teve medo de ir a hospitais, pois uma vez quando era pequena apanhou um gastrenterite e teve que ficar dois dias no hospital a levar soro.
- Bom, vamos para casa, pois estamos cheios de sono. Não te importas, pois não, Pui-li? – inquiriu o Samuel.
- Não. – respondeu o Pui-li. – Vocês merecem descansar e por culpa minha não puderam dormir o sono que queriam...
- Deixa-te disso, os amigos servem para isso mesmo. – abonou o Alan.
- Obrigado! – agradeceu o Pui-li.
Ás nove da noite, os Pequenos Grandes Heróis foram visitar o Pui-li que se encontrava a jantar uma sopa de espinafres.
- Então? Como é a comida do hospital? – questionou o Doug.
- É mais ou menos. – respondeu o Pui-li.
- Eu mandei um mail ao inspector Hugo Faria e ele disse que queria que nós investigássemos o caso com ou sem o Pui-li. – afirmou o Jimmy.
- Por mim podem investigar à vontade enquanto estou no hospital. – disse o Pui-li.
- Então amanhã vamos investigar o caso dos mutantes. – declarou o Jimmy.
Capíttulo 14
Uma visita inesperada e novas descobertas
Pui-li encontrava-se a dormir, quando o enfermeiro o despertou dizendo-lhe:
- Tem visitas!
Pui-li pensou que eram os seus amigos, mas afinal era o Sarabel.
- O que está aqui a fazer? – quis saber o Pui-li, muito espantado.
- Vim visitar-lhe. – respondeu ele. – Está melhor?
- Sim, obrigado, mas não era preciso ter vindo... – disse o Pui-li.
- Queria dizer-lhe uma coisa... – começou o Sarabel.
- O que é? – perguntou o Pui-li.
- Eu apesar de estar casado, eu reparei em si e apaixonei-me... – declarou o Sarabel.
Pui-li ficou em estado de choque. Estava habituado que as raparigas fizessem aquele tipo de declarações, mas de rapazes era a primeira vez.
- Por favor, vá-se embora! – pediu o Pui-li. – E não me apareça nem mais uma vez à minha frente!
Sarabel ficou muito triste e foi-se embora.
- Pui-li, tenho muito boas notícias para lhe dar! – anunciou o médico.
- O que foi, senhor Doutor? – inquiriu o Pui-li, muito contente.
- Não vai precisar de estar aqui uma semana a ser injectado com primaquina e cloroquina. Basta estar aqui mais dois ou três dias, mas vai ter que ter cuidado com a alimentação: deve comer muitos alimentos que tenham ferro. – informou o médico.
- Ainda bem, senhor Doutor! – contentou-se o Pui-li. – Isso quer dizer que eu estou a recuperar bem?
- Exactamente! – respondeu o médico, muito animado. – Teve muita sorte pela sua malária não estar muito adiantada...
- Mas o senhor Doutor disse que eu tinha de fazer uns exames sanguíneos e uns exames fecais... – disse o Pui-li.
- E vai ter de fazer. – afirmou o médico. – Quando for para casa, vai depositar uma amostra das suas fezes nestes frasquinhos de plástico todos os dias e vai ter de identificá-los com as respectivas datas.
- Obrigado, senhor Doutor! – agradeceu o Pui-li.
- Não tem de quê! Estou apenas a fazer o meu trabalho... continue a descansar que é o que o senhor precisa. – disse o médico.
- Bom, vamos para a praia Barreira Negra investigar. – incentivou o Jimmy.
Foram à praia de jipe e quem conduzia era o Samuel.
O mar estava calmo, mas poluído. Era azul límpido. A areia da praia estava suja e peixes mutantes mortos iam dar à costa.
- Que horror! – exclamou o Alan, examinando os peixes.
- É melhor chamarmos uma equipa de especialistas. – opinou o Samuel.
- Concordo. – concordou o Jimmy.
Samuel sacou o telemóvel do bolso e pôs-se a telefonar ao inspector Hugo Faria.
- Boa tarde! Sou eu, o Samuel. – apresentou-se.
- Oi, Samuel! Tudo bem? – saudou o Hugo. – Descobriram alguma coisa? E ‘tá tudo bem com o Pui-li?
- Hoje ainda não o visitamos, mas neste momento estamos na Praia Barreira Negra. O mar é de um azul límpido como cristal e a costa está toda suja com peixes mutantes mortos. – respondeu o Samuel.
- Mas que interessante! – exclamou o Hugo. – Já levaram o mutante ao Centro de Investigação da África do Sul?
- Já. – respondeu o Samuel. – Mas ainda não sabemos os resultados.
- Muito bem! O que é que vocês querem? Precisam de ajuda de especialistas e cientistas? – interrogou o Hugo.
- Sim. – respondeu o Samuel.
- Pois muito bem! Eu vou telefonar aos especialistas de Angola e eles irão ter com vocês daqui a cinco minutos. – disse o Hugo.
- Obrigado! – agradeceu o Samuel.
- De nada! E boa sorte! – desejou o Hugo.
- E então? – indagou a Liliane.
- O inspector Hugo Faria garantiu telefonar aos especialistas e que chegariam aqui em cinco minutos. – respondeu o Samuel.
Passado cinco minutos, ouviram o som de uma carrinha que se aproximava. Pararam e saíram várias pessoas.
- São vocês os cientistas? – questionou o Samuel.
- Sim. – respondeu uma rapariga com cerca de dezassete anos.
Os cientistas ficaram perplexos com a cena que viram. Tiraram amostras da água do mar e de alguns peixes mortos.
- Muito bem, vamos levar estas amostras ao Centro de Investigação de África do Sul e em breve teremos os resultados. – informou um cientista.
- Muito obrigado pela vossa intervenção. – agradeceu o Samuel.
- De nada. – disseram os cientistas. – Estamos apenas a fazer o nosso trabalho.
- Depois de tanto ver mar e areia está-me a dar saudades das praias da Austrália! – suspirou o Doug.
- Vamos visitar o Pui-li? – perguntou a Liliane.
- Pode ser. – concordaram todos.
Quando chegaram ao hospital, o Pui-li estava a ver as análises que tinha feito ao sangue.
- Então, senhor Doutor? – perguntou o Pui-li.
- Era o que eu esperava, a malária está quase curada. – respondeu o médico.
- Pui-li, estás melhor? – inquiriu o Doug.
- Sim, afinal não vou precisar de estar aqui uma semana, mas sim mais dois ou três dias a levar cloroquina e primaquina, mas mesmo assim, vou ter de fazer análises sanguíneas devido à malária e fecais devido à anemia. Mas o médico garantiu que estou quase curado, pois a malária não estava muito desenvolvida, mas vou ter que ter cuidado com a anemia. – respondeu o Pui-li.
- Ainda bem, que vais ficar bom! – exclamou o Alan.
- Foram à praia Barreira Negra? – questionou o Pui-li.
- Sim. – respondeu o Jimmy. – E chamamos especialistas que examinaram a água do mar e os peixes mutantes mortos.
- Vão levá-los ao Centro de Investigação e em breve apresentarão os resultados. – acrescentou a Liliane.
- Espero que sejam rápidos, pois quero descobrir a origem dos mutantes e daquela poluição toda. – disse o Alan.
- E vão descobrir, disso eu tenho a certeza. – assegurou o Pui-li.
- Acabou a hora da visita. – informou uma enfermeira, mal-humorada.
- Adeus, Pui-li e melhoras! – desejaram todos.
Pui-li encontrava-se a dormir, quando o enfermeiro o despertou dizendo-lhe:
- Tem visitas!
Pui-li pensou que eram os seus amigos, mas afinal era o Sarabel.
- O que está aqui a fazer? – quis saber o Pui-li, muito espantado.
- Vim visitar-lhe. – respondeu ele. – Está melhor?
- Sim, obrigado, mas não era preciso ter vindo... – disse o Pui-li.
- Queria dizer-lhe uma coisa... – começou o Sarabel.
- O que é? – perguntou o Pui-li.
- Eu apesar de estar casado, eu reparei em si e apaixonei-me... – declarou o Sarabel.
Pui-li ficou em estado de choque. Estava habituado que as raparigas fizessem aquele tipo de declarações, mas de rapazes era a primeira vez.
- Por favor, vá-se embora! – pediu o Pui-li. – E não me apareça nem mais uma vez à minha frente!
Sarabel ficou muito triste e foi-se embora.
- Pui-li, tenho muito boas notícias para lhe dar! – anunciou o médico.
- O que foi, senhor Doutor? – inquiriu o Pui-li, muito contente.
- Não vai precisar de estar aqui uma semana a ser injectado com primaquina e cloroquina. Basta estar aqui mais dois ou três dias, mas vai ter que ter cuidado com a alimentação: deve comer muitos alimentos que tenham ferro. – informou o médico.
- Ainda bem, senhor Doutor! – contentou-se o Pui-li. – Isso quer dizer que eu estou a recuperar bem?
- Exactamente! – respondeu o médico, muito animado. – Teve muita sorte pela sua malária não estar muito adiantada...
- Mas o senhor Doutor disse que eu tinha de fazer uns exames sanguíneos e uns exames fecais... – disse o Pui-li.
- E vai ter de fazer. – afirmou o médico. – Quando for para casa, vai depositar uma amostra das suas fezes nestes frasquinhos de plástico todos os dias e vai ter de identificá-los com as respectivas datas.
- Obrigado, senhor Doutor! – agradeceu o Pui-li.
- Não tem de quê! Estou apenas a fazer o meu trabalho... continue a descansar que é o que o senhor precisa. – disse o médico.
- Bom, vamos para a praia Barreira Negra investigar. – incentivou o Jimmy.
Foram à praia de jipe e quem conduzia era o Samuel.
O mar estava calmo, mas poluído. Era azul límpido. A areia da praia estava suja e peixes mutantes mortos iam dar à costa.
- Que horror! – exclamou o Alan, examinando os peixes.
- É melhor chamarmos uma equipa de especialistas. – opinou o Samuel.
- Concordo. – concordou o Jimmy.
Samuel sacou o telemóvel do bolso e pôs-se a telefonar ao inspector Hugo Faria.
- Boa tarde! Sou eu, o Samuel. – apresentou-se.
- Oi, Samuel! Tudo bem? – saudou o Hugo. – Descobriram alguma coisa? E ‘tá tudo bem com o Pui-li?
- Hoje ainda não o visitamos, mas neste momento estamos na Praia Barreira Negra. O mar é de um azul límpido como cristal e a costa está toda suja com peixes mutantes mortos. – respondeu o Samuel.
- Mas que interessante! – exclamou o Hugo. – Já levaram o mutante ao Centro de Investigação da África do Sul?
- Já. – respondeu o Samuel. – Mas ainda não sabemos os resultados.
- Muito bem! O que é que vocês querem? Precisam de ajuda de especialistas e cientistas? – interrogou o Hugo.
- Sim. – respondeu o Samuel.
- Pois muito bem! Eu vou telefonar aos especialistas de Angola e eles irão ter com vocês daqui a cinco minutos. – disse o Hugo.
- Obrigado! – agradeceu o Samuel.
- De nada! E boa sorte! – desejou o Hugo.
- E então? – indagou a Liliane.
- O inspector Hugo Faria garantiu telefonar aos especialistas e que chegariam aqui em cinco minutos. – respondeu o Samuel.
Passado cinco minutos, ouviram o som de uma carrinha que se aproximava. Pararam e saíram várias pessoas.
- São vocês os cientistas? – questionou o Samuel.
- Sim. – respondeu uma rapariga com cerca de dezassete anos.
Os cientistas ficaram perplexos com a cena que viram. Tiraram amostras da água do mar e de alguns peixes mortos.
- Muito bem, vamos levar estas amostras ao Centro de Investigação de África do Sul e em breve teremos os resultados. – informou um cientista.
- Muito obrigado pela vossa intervenção. – agradeceu o Samuel.
- De nada. – disseram os cientistas. – Estamos apenas a fazer o nosso trabalho.
- Depois de tanto ver mar e areia está-me a dar saudades das praias da Austrália! – suspirou o Doug.
- Vamos visitar o Pui-li? – perguntou a Liliane.
- Pode ser. – concordaram todos.
Quando chegaram ao hospital, o Pui-li estava a ver as análises que tinha feito ao sangue.
- Então, senhor Doutor? – perguntou o Pui-li.
- Era o que eu esperava, a malária está quase curada. – respondeu o médico.
- Pui-li, estás melhor? – inquiriu o Doug.
- Sim, afinal não vou precisar de estar aqui uma semana, mas sim mais dois ou três dias a levar cloroquina e primaquina, mas mesmo assim, vou ter de fazer análises sanguíneas devido à malária e fecais devido à anemia. Mas o médico garantiu que estou quase curado, pois a malária não estava muito desenvolvida, mas vou ter que ter cuidado com a anemia. – respondeu o Pui-li.
- Ainda bem, que vais ficar bom! – exclamou o Alan.
- Foram à praia Barreira Negra? – questionou o Pui-li.
- Sim. – respondeu o Jimmy. – E chamamos especialistas que examinaram a água do mar e os peixes mutantes mortos.
- Vão levá-los ao Centro de Investigação e em breve apresentarão os resultados. – acrescentou a Liliane.
- Espero que sejam rápidos, pois quero descobrir a origem dos mutantes e daquela poluição toda. – disse o Alan.
- E vão descobrir, disso eu tenho a certeza. – assegurou o Pui-li.
- Acabou a hora da visita. – informou uma enfermeira, mal-humorada.
- Adeus, Pui-li e melhoras! – desejaram todos.
Capítulo 15
A origem dos mutantes
Os Pequenos Grandes Heróis encontravam-se a tomar o pequeno-almoço, quando o telemóvel de Samuel começou a tocar:
- São os cientistas! – exclamou ele.
- Atende, atende!! – entusiasmaram-se todos.
- Sim... – começou o Samuel.
- Nós somos do Centro de Investigação da África do Sul e já temos os resultados: a água do mar da praia Barreira Negra tem produtos altamente tóxicos, que podem desfigurar qualquer ser vivo que fique muito tempo nessa água. Encontramos no mutante e nos peixes várias substâncias tóxicas, nomeadamente: dióxido de enxofre e óxidos de azoto. O mar tem uma acidez tal, que não permite nenhuma existência de seres vivos nas suas águas e conseguimos identificar o pH e ficamos chocados: o pH é dois!!! – informou uma cientista.
- Então, os peixes e a rapariga tiveram deformações devido à acidez das águas do mar? – inquiriu o Samuel.
- Sim. – respondeu a cientista.
- Vamos já descobrir a presumível causa da acidez do mar. – assegurou o Samuel.
- Estes ácidos são geralmente provocados por chuvas ácidas, mas não há assim tantas fábricas e carros para haver tamanha poluição... – declarou a cientista.
- Eu acho que há mão criminosa neste mistério. – opinou o Samuel.
- Também acho. O melhor é descobrir-mos quem são esses criminosos antes que seja tarde de mais... – concordou a cientista. – Adeus e boa sorte!
- Obrigado e adeus! – despediu-se o Samuel.
Samuel informou os restantes membros da patrulha e foram a caminho da Praia Barreira Negra.
- Está tudo a correr como eu quero! – exclamou o cientista Júlio, esfregando as mãos de felicidade.
- Como assim? – interrogou a Augusta.
- Eu poluí aquele mar estúpido da praia Barreira Negra com produtos altamente tóxicos que destruem qualquer forma de vida. – respondeu o Júlio. – Ai minha querida Augusta, já te disse que te adoro?
- Não. – respondeu a Augusta. – Mas porque é que o senhor está a fazer uma coisa destas?
- Eu lembro-me que quando era pequenino, eu estive quase a morrer afogado, porque o meu pé ficou preso a uma alga estúpida... – respondeu o Júlio, cheio de ódio.
- Não acha que está a exagerar em querer destruir tudo o que o fez sofrer? – perguntou a Augusta.
- Não, sua estúpida. – gritou ele, furioso.
- Mas a vida não é um mar de rosas... – continuou a Augusta. – Tem que se sofrer para crescer! Até rimei!!
- Cala-te, sua estúpida! – ordenou o Júlio. – Não percebes de nada desta vida estúpida! É por causa das coisas estúpidas da minha vida estúpida, que eu estou a fazer estas coisas estúpidas. Percebeste, sua estúpida?
- Sim. – respondeu a Augusta, farta de ele lhe chamar estúpida.
- A sua vida não deve ter sido tão má... Já teve alguma namorada? – questionou a Augusta.
- Não, sua estúpida! – respondeu o Júlio. – A minha vida foi, é e sempre será estúpida. Eu nunca conseguirei arranjar nenhuma namorada estúpida. Percebeste, sua estúpida? Percebes porque é que eu odeio esta vida estúpida? Percebes porque é que estou a fazer coisas estúpidas contra a vida estúpida de um grande estúpido que vive num mundo estúpido e que tem um trabalho estúpido, sua estúpida?
Augusta suspirou. As palavras: «estúpida», «estúpido», «estúpidas», «estúpidos» e «estupidez» eram os únicos insultos que Júlio proclamava.
- Mas o que é aquilo? – inquiriu o Samuel, referindo-se a um edifício velho perto da praia.
- Deve ser uma casa de férias abandonada. – opinou o Doug.
- Vou investigar. – decidiu o Samuel.
- Não sejas parvo, é impossível esta casa ter alguma coisa a ver com a poluição do mar... – tentou fazer ver, a Liliane. – É só uma casa velha e abandonada.
- Tens razão. – concordou o Samuel. – Sou eu que estou a delirar.
- Não estou a ver nada de suspeito! – comentou o Alan.
- Nem eu! – desolaram-se todos.
- Vamos embora! – suspirou o Jimmy, tristemente. – Nunca iremos encontrar nada de suspeito...
- Se calhar a poluição foi mesmo causada pelas chuvas ácidas e estamos para aqui a delirar que alguém tem culpa... – acrescentou o Samuel.
- Vamos mas é embora daqui, que já é hora do almoço. – disse o Doug.
- Podemos almoçar num restaurante! – sugeriu o Alan.
- Boa ideia! – apoiaram todos.
- Depois podemos ir visitar o Pui-li. – sugeriu a Liliane.
- Estás sempre a querer visitá-lo! Hoje não vamos. – resmungou o Samuel.
- Porquê? – quis saber a Liliane.
- Ele precisa de descansar. – respondeu o Samuel. – Gostas assim tanto dele ao ponto de querer visitá-lo todos os dias?
- Não... – engasgou-se a Liliane. – Se eu estivesse no lugar dele gostava de receber visitas todos os dias...
- Está bem, depois vamos visitá-lo. – aceitou o Samuel.
Liliane não conseguiu conter um sorriso de felicidade.
Os Pequenos Grandes Heróis foram a caminho do restaurante e não ouviram a enorme gargalhada vinda da casa abandonada. Se eles soubessem que o palpite do Samuel estava certo... mas já é tarde de mais, ou... será que não?
Os Pequenos Grandes Heróis encontravam-se a tomar o pequeno-almoço, quando o telemóvel de Samuel começou a tocar:
- São os cientistas! – exclamou ele.
- Atende, atende!! – entusiasmaram-se todos.
- Sim... – começou o Samuel.
- Nós somos do Centro de Investigação da África do Sul e já temos os resultados: a água do mar da praia Barreira Negra tem produtos altamente tóxicos, que podem desfigurar qualquer ser vivo que fique muito tempo nessa água. Encontramos no mutante e nos peixes várias substâncias tóxicas, nomeadamente: dióxido de enxofre e óxidos de azoto. O mar tem uma acidez tal, que não permite nenhuma existência de seres vivos nas suas águas e conseguimos identificar o pH e ficamos chocados: o pH é dois!!! – informou uma cientista.
- Então, os peixes e a rapariga tiveram deformações devido à acidez das águas do mar? – inquiriu o Samuel.
- Sim. – respondeu a cientista.
- Vamos já descobrir a presumível causa da acidez do mar. – assegurou o Samuel.
- Estes ácidos são geralmente provocados por chuvas ácidas, mas não há assim tantas fábricas e carros para haver tamanha poluição... – declarou a cientista.
- Eu acho que há mão criminosa neste mistério. – opinou o Samuel.
- Também acho. O melhor é descobrir-mos quem são esses criminosos antes que seja tarde de mais... – concordou a cientista. – Adeus e boa sorte!
- Obrigado e adeus! – despediu-se o Samuel.
Samuel informou os restantes membros da patrulha e foram a caminho da Praia Barreira Negra.
- Está tudo a correr como eu quero! – exclamou o cientista Júlio, esfregando as mãos de felicidade.
- Como assim? – interrogou a Augusta.
- Eu poluí aquele mar estúpido da praia Barreira Negra com produtos altamente tóxicos que destruem qualquer forma de vida. – respondeu o Júlio. – Ai minha querida Augusta, já te disse que te adoro?
- Não. – respondeu a Augusta. – Mas porque é que o senhor está a fazer uma coisa destas?
- Eu lembro-me que quando era pequenino, eu estive quase a morrer afogado, porque o meu pé ficou preso a uma alga estúpida... – respondeu o Júlio, cheio de ódio.
- Não acha que está a exagerar em querer destruir tudo o que o fez sofrer? – perguntou a Augusta.
- Não, sua estúpida. – gritou ele, furioso.
- Mas a vida não é um mar de rosas... – continuou a Augusta. – Tem que se sofrer para crescer! Até rimei!!
- Cala-te, sua estúpida! – ordenou o Júlio. – Não percebes de nada desta vida estúpida! É por causa das coisas estúpidas da minha vida estúpida, que eu estou a fazer estas coisas estúpidas. Percebeste, sua estúpida?
- Sim. – respondeu a Augusta, farta de ele lhe chamar estúpida.
- A sua vida não deve ter sido tão má... Já teve alguma namorada? – questionou a Augusta.
- Não, sua estúpida! – respondeu o Júlio. – A minha vida foi, é e sempre será estúpida. Eu nunca conseguirei arranjar nenhuma namorada estúpida. Percebeste, sua estúpida? Percebes porque é que eu odeio esta vida estúpida? Percebes porque é que estou a fazer coisas estúpidas contra a vida estúpida de um grande estúpido que vive num mundo estúpido e que tem um trabalho estúpido, sua estúpida?
Augusta suspirou. As palavras: «estúpida», «estúpido», «estúpidas», «estúpidos» e «estupidez» eram os únicos insultos que Júlio proclamava.
- Mas o que é aquilo? – inquiriu o Samuel, referindo-se a um edifício velho perto da praia.
- Deve ser uma casa de férias abandonada. – opinou o Doug.
- Vou investigar. – decidiu o Samuel.
- Não sejas parvo, é impossível esta casa ter alguma coisa a ver com a poluição do mar... – tentou fazer ver, a Liliane. – É só uma casa velha e abandonada.
- Tens razão. – concordou o Samuel. – Sou eu que estou a delirar.
- Não estou a ver nada de suspeito! – comentou o Alan.
- Nem eu! – desolaram-se todos.
- Vamos embora! – suspirou o Jimmy, tristemente. – Nunca iremos encontrar nada de suspeito...
- Se calhar a poluição foi mesmo causada pelas chuvas ácidas e estamos para aqui a delirar que alguém tem culpa... – acrescentou o Samuel.
- Vamos mas é embora daqui, que já é hora do almoço. – disse o Doug.
- Podemos almoçar num restaurante! – sugeriu o Alan.
- Boa ideia! – apoiaram todos.
- Depois podemos ir visitar o Pui-li. – sugeriu a Liliane.
- Estás sempre a querer visitá-lo! Hoje não vamos. – resmungou o Samuel.
- Porquê? – quis saber a Liliane.
- Ele precisa de descansar. – respondeu o Samuel. – Gostas assim tanto dele ao ponto de querer visitá-lo todos os dias?
- Não... – engasgou-se a Liliane. – Se eu estivesse no lugar dele gostava de receber visitas todos os dias...
- Está bem, depois vamos visitá-lo. – aceitou o Samuel.
Liliane não conseguiu conter um sorriso de felicidade.
Os Pequenos Grandes Heróis foram a caminho do restaurante e não ouviram a enorme gargalhada vinda da casa abandonada. Se eles soubessem que o palpite do Samuel estava certo... mas já é tarde de mais, ou... será que não?
Capítulo 16
Uma fascinante descoberta
Depois de almoçarem no restaurante foram visitar o Pui-li ao hospital.
- Estás melhor? – perguntou o Samuel.
- Sim. – respondeu o Pui-li. – Já fiz os pontos do braço e estou a tomar analgésicos para as dores.
- O que é que o médico disse da ferida? – quis saber a Liliane.
- Disse que estava muito feia, mas ia recuperar bem. – respondeu o Pui-li. – E acrescentou que eu tive sorte em não apanhar raiva.
- Bolas! Além de malária, raiva? Coitado de ti! – exclamou o Doug. – Mas era engraçado ver o Pui-li a espumar da boca!
- Não tinha graça nenhuma. – contradisse o Pui-li.
- Já acabou a hora das visitas. – informou a enfermeira, mal-encarada.
- Mas que enfermeira antipática! – exclamou a Liliane.
- Para mim é muito simpática. – contrapôs o Pui-li.
Liliane olhou a enfermeira de lado.
- Vamos embora! – disse o Jimmy. – Temos de investigar o caso dos mutantes.
- Sim, vamos. – concordou a Liliane, olhando outra vez a enfermeira de lado.
Desta vez quem olhou de lado para a Liliane foi a enfermeira. As duas cruzaram um olhar fulminante.
- Adeus, Pui-li, fica bem! – desejaram todos.
- Obrigado! – agradeceu o Pui-li.
Quando todos se foram embora, inclusive a Liliane, a enfermeira ficou radiante e começou a conversar com o Pui-li:
- Quem é aquela rapariga que está sempre a visitar-te com aqueles rapazes todos? É tua namorada?
- Não! – riu-se o Pui-li. – É só uma colega, nem sequer somos muito amigos...
A enfermeira de nome Salomé ficou muito contente.
- Acha-la bonita? – inquiriu a Salomé.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Salomé remoeu de inveja.
- Acha-me bonita? – questionou ela.
- Sim... – mentiu o Pui-li.
Salomé era uma angolana muito gorda com cerca de doze anos.
Salomé ficou radiante:
- Preferias namorar comigo ou com ela?
Pui-li ficou estupefacto com a pergunta e resolveu não responder.
- O que achas dela? – interrogou a Salomé.
- Acho-a bonita, mas é estúpida, egoísta, sem sentimentos, parva e é a rapariga com o pior carácter que conheço. – mentiu o Pui-li.
O coração de Salomé encheu-se de alegria. Cada adjectivo dito pelo Pui-li punha-a mais feliz e encheu-se de esperança. Afinal, ele disse que a achava bonita e chamou nomes àquela rapariga hipócrita e reles que ela tanto odiava desde o primeiro dia que pôs os olhos nela.
Mas a Pui-li nunca lhe passaria pela cabeça o que a Salomé estava a pensar e andava alheio à sua felicidade e esperanças de o conquistar.
- Acho melhor investigar-mos à noite. – opinou o Alan. – Pois as ocorrências surgem sempre à coca da noite.
- Tens razão. – concordou o Samuel.
À noite, os Pequenos Grandes Heróis foram à praia Barreira Negra e não viram nada de estranho.
Esconderam-se atrás de uns arbustos a espiar. Foi quando ouviram alguém falar:
- Não foi uma óptima ideia estúpida, minha estúpida? – questionou o Júlio.
- Sim, chefe estúpido. – arriscou a Augusta.
Júlio encheu-se de raiva e deu-lhe um valente estalo que a deixou atordoada.
- Ninguém me chama estúpido, ouviste sua estúpida? – rosnou o Júlio.
- Ouvi sim, chefe... – respondeu a Augusta.
- Muito bem, vamos ver como está o nosso plano estúpido. – disse o Júlio.
-“Nosso” plano, não. – desdisse a Augusta. – “Seu” plano.
- Cala-te, estúpida! – ordenou o Júlio. – Tu e eu é que fizemos este estúpido plano.
Saíram da casa e foram mirar o mar, estava como Júlio queria, azul e límpido, mas poluído.
- Quero ver se isto funciona mesmo. – atalhou o Júlio.
- Como? – interrogou a Augusta.
Júlio pegou nela ao colo e atirou-a para o mar.
- Socorro, socorro! – gritou ela.
Os Pequenos Grandes Heróis saíram do esconderijo e deram uma valente cacetada no Júlio, que ficou inconsciente e tentaram salvar a Augusta.
Augusta olhou para a sua mão e para espanto desta, estava a fazer bolhas e a crescer pêlos.
- Ajudem-me, ajudem-me! Não quero tornar-me num mutante! – gritava ela.
Samuel pegou no telemóvel e pediu ajuda aos bombeiros e à polícia.
Quando os bombeiros chegaram, resgataram a Augusta, mas já era tarde de mais: Augusta já se tinha transformado em mutante.
- Isto é horrível! – exclamou a Liliane.
- Vocês têm alguma coisa a ver com isto? – quis saber o Samuel.
- O Júlio é que é o culpado. – disse a Augusta.
- Vamos levá-lo á esquadra e julgá-lo em tribunal, mas a senhora também vai ter que depor, pois também estava com ele. – disse o Samuel.
Augusta baixou o olhar, muito triste. Tinha também um pouco de culpa, apesar de nunca concordar com as ideias do cientista português: Júlio, “O Estúpido”. Foi forçada a fazê-lo por dinheiro e emprego. Júlio também matá-la-ia se ela dissesse alguma coisa ou não fizesse o que ele quisesse, mas agora já não tinha medo de morrer, pois tinha-se transformado num mutante por culpa daquele cientista maluco.
A polícia levou-a para o carro de patrulha e Júlio já tinha acordado entretanto.
- Mas que estupidez se está a passar? – quis saber o Júlio.
- Foi apanhado e agora vai ter de depor na esquadra. – respondeu o Jimmy.
Júlio nem queria acreditar que os seus planos «estúpidos» não tinham dado certo.
Depois de almoçarem no restaurante foram visitar o Pui-li ao hospital.
- Estás melhor? – perguntou o Samuel.
- Sim. – respondeu o Pui-li. – Já fiz os pontos do braço e estou a tomar analgésicos para as dores.
- O que é que o médico disse da ferida? – quis saber a Liliane.
- Disse que estava muito feia, mas ia recuperar bem. – respondeu o Pui-li. – E acrescentou que eu tive sorte em não apanhar raiva.
- Bolas! Além de malária, raiva? Coitado de ti! – exclamou o Doug. – Mas era engraçado ver o Pui-li a espumar da boca!
- Não tinha graça nenhuma. – contradisse o Pui-li.
- Já acabou a hora das visitas. – informou a enfermeira, mal-encarada.
- Mas que enfermeira antipática! – exclamou a Liliane.
- Para mim é muito simpática. – contrapôs o Pui-li.
Liliane olhou a enfermeira de lado.
- Vamos embora! – disse o Jimmy. – Temos de investigar o caso dos mutantes.
- Sim, vamos. – concordou a Liliane, olhando outra vez a enfermeira de lado.
Desta vez quem olhou de lado para a Liliane foi a enfermeira. As duas cruzaram um olhar fulminante.
- Adeus, Pui-li, fica bem! – desejaram todos.
- Obrigado! – agradeceu o Pui-li.
Quando todos se foram embora, inclusive a Liliane, a enfermeira ficou radiante e começou a conversar com o Pui-li:
- Quem é aquela rapariga que está sempre a visitar-te com aqueles rapazes todos? É tua namorada?
- Não! – riu-se o Pui-li. – É só uma colega, nem sequer somos muito amigos...
A enfermeira de nome Salomé ficou muito contente.
- Acha-la bonita? – inquiriu a Salomé.
- Sim. – respondeu o Pui-li.
Salomé remoeu de inveja.
- Acha-me bonita? – questionou ela.
- Sim... – mentiu o Pui-li.
Salomé era uma angolana muito gorda com cerca de doze anos.
Salomé ficou radiante:
- Preferias namorar comigo ou com ela?
Pui-li ficou estupefacto com a pergunta e resolveu não responder.
- O que achas dela? – interrogou a Salomé.
- Acho-a bonita, mas é estúpida, egoísta, sem sentimentos, parva e é a rapariga com o pior carácter que conheço. – mentiu o Pui-li.
O coração de Salomé encheu-se de alegria. Cada adjectivo dito pelo Pui-li punha-a mais feliz e encheu-se de esperança. Afinal, ele disse que a achava bonita e chamou nomes àquela rapariga hipócrita e reles que ela tanto odiava desde o primeiro dia que pôs os olhos nela.
Mas a Pui-li nunca lhe passaria pela cabeça o que a Salomé estava a pensar e andava alheio à sua felicidade e esperanças de o conquistar.
- Acho melhor investigar-mos à noite. – opinou o Alan. – Pois as ocorrências surgem sempre à coca da noite.
- Tens razão. – concordou o Samuel.
À noite, os Pequenos Grandes Heróis foram à praia Barreira Negra e não viram nada de estranho.
Esconderam-se atrás de uns arbustos a espiar. Foi quando ouviram alguém falar:
- Não foi uma óptima ideia estúpida, minha estúpida? – questionou o Júlio.
- Sim, chefe estúpido. – arriscou a Augusta.
Júlio encheu-se de raiva e deu-lhe um valente estalo que a deixou atordoada.
- Ninguém me chama estúpido, ouviste sua estúpida? – rosnou o Júlio.
- Ouvi sim, chefe... – respondeu a Augusta.
- Muito bem, vamos ver como está o nosso plano estúpido. – disse o Júlio.
-“Nosso” plano, não. – desdisse a Augusta. – “Seu” plano.
- Cala-te, estúpida! – ordenou o Júlio. – Tu e eu é que fizemos este estúpido plano.
Saíram da casa e foram mirar o mar, estava como Júlio queria, azul e límpido, mas poluído.
- Quero ver se isto funciona mesmo. – atalhou o Júlio.
- Como? – interrogou a Augusta.
Júlio pegou nela ao colo e atirou-a para o mar.
- Socorro, socorro! – gritou ela.
Os Pequenos Grandes Heróis saíram do esconderijo e deram uma valente cacetada no Júlio, que ficou inconsciente e tentaram salvar a Augusta.
Augusta olhou para a sua mão e para espanto desta, estava a fazer bolhas e a crescer pêlos.
- Ajudem-me, ajudem-me! Não quero tornar-me num mutante! – gritava ela.
Samuel pegou no telemóvel e pediu ajuda aos bombeiros e à polícia.
Quando os bombeiros chegaram, resgataram a Augusta, mas já era tarde de mais: Augusta já se tinha transformado em mutante.
- Isto é horrível! – exclamou a Liliane.
- Vocês têm alguma coisa a ver com isto? – quis saber o Samuel.
- O Júlio é que é o culpado. – disse a Augusta.
- Vamos levá-lo á esquadra e julgá-lo em tribunal, mas a senhora também vai ter que depor, pois também estava com ele. – disse o Samuel.
Augusta baixou o olhar, muito triste. Tinha também um pouco de culpa, apesar de nunca concordar com as ideias do cientista português: Júlio, “O Estúpido”. Foi forçada a fazê-lo por dinheiro e emprego. Júlio também matá-la-ia se ela dissesse alguma coisa ou não fizesse o que ele quisesse, mas agora já não tinha medo de morrer, pois tinha-se transformado num mutante por culpa daquele cientista maluco.
A polícia levou-a para o carro de patrulha e Júlio já tinha acordado entretanto.
- Mas que estupidez se está a passar? – quis saber o Júlio.
- Foi apanhado e agora vai ter de depor na esquadra. – respondeu o Jimmy.
Júlio nem queria acreditar que os seus planos «estúpidos» não tinham dado certo.
Capítulo 17
O interrogatório
Júlio e Augusta foram levados à esquadra.
- Mas que estupidez! Funciona! – admirou-se o Júlio. – Sou o cientista mais estúpido que existe! Vou ganhar o prémio estúpido de melhor cientista estúpido!
Os polícias olharam-no de soslaio, era evidente que aquele cientista não regulava muito bem da cabeça.
- Muito bem! Comecemos por interrogar o senhor Júlio. – decidiu o chefe. – O senhor é que tem a culpa do sucedido?
- Claro, seu estúpido! – assentiu o Júlio. – Só eu posso fazer coisas estúpidas!
- Respeite a autoridade! – ordenou um dos polícias.
- Eu sou uma autoridade estúpida, ouviste seu estúpido? – contrapôs o Júlio.
O polícia teve vontade de o agredir, mas conteve-se.
- Porque é que o senhor, nomeadamente cometeu este crime? – interrogou o chefe.
- Eu passo a citar: eu quando era um pequeno estúpido, eu estive quase a morrer afogado, pois o meu estúpido pé ficou preso a uma alga estúpida... – explicou o Júlio.
- E? – o chefe não estava a perceber o motivo do crime de Júlio.
- E eu quis acabar com todo o tipo de vida lá existente. – respondeu o Júlio.
- O senhor acha que isso é um motivo crente para cometer o que cometeu? – inquiriu o chefe.
- Sim. – respondeu o Júlio.
- E este mutante? Qual é a causa desta transformação? – questionou o chefe.
- Eu deitei produtos asquerosos e estúpidos na água do mar através de um tubo estúpido que ligava o meu laboratório estúpido ao mar. – respondeu o Júlio. – E estes produtos estúpidos faziam que quem pusesse lá os pés, se transformasse num mutante estúpido.
- E quais são nomeadamente esses produtos? – perguntou o chefe.
- Óxidos de azoto, dióxido de enxofre e outros produtos altamente tóxicos e estúpidos. – respondeu o Júlio.
- O senhor não se sente culpado por aquilo que fez? O senhor destruiu muitas vidas, nomeadamente da sua ajudante... – espantou-se o chefe.
- Não. – afirmou o Júlio. – É bem feito a essa estúpida se ter transformado em mutante estúpido.
Augusta não aguentou mais e começou a agredi-lo com uma força sobrenatural.
- Parem já com isso! – ordenaram o chefe e os restantes polícias, tentando separá-los.
- E a senhora? Também é culpada por tudo isto... – começou o chefe.
- Sim, mas eu nunca concordei com ele e só trabalhei com ele para ganhar dinheiro e também não sabia de nada do seu projecto, mas quando percebi, já era tarde demais... ele ameaçou-me de morte se eu contasse a alguém tudo sobre o projecto. – declarou a Augusta.
- Vocês vão estar em prisão preventiva a aguardar julgamento perante o Senhor Meritíssimo Juiz. – disse o chefe.
Augusta não aceitou a sua prisão e pegou na pistola de um dos polícias e suicidou-se.
- É mesmo estúpida, a Augusta! – exclamou o Júlio.
Passado uma semana...
- Já sabem das últimas? – perguntou o Samuel.
- Não, conta lá. – pediu o Jimmy.
- O Júlio já depôs a tribunal e foi condenado a vinte e cinco anos de prisão e Augusta suicidou-se. – anunciou o Samuel.
- Fixe! – contentou-se o Alan. – É muito bem feito!
- Tinha ou não tinha razão face àquela casa? – brincou o Samuel.
- Tinhas. – assumiu a Liliane.
- Temos de ir buscar o Pui-li ao hospital. – disse o Doug.
- Já me tinha esquecido dele... – exclamou a Liliane. – Ele não nos ajudou em nada...
- Ele não teve culpa, esteve doente... – contrapôs o Doug.
- O Doug tem razão. – disse o Samuel. Ele não nos ajudou porque não pôde, mas sempre acreditou que nós iríamos conseguir desvendar o mistério dos mutantes.
Jimmy mandou um e-mail ao inspector Hugo Faria três dias antes, a contar o sucesso da missão. E neste momento estava a ler um e-mail do inspector:
De: hugo_faria@yahoo.com.br
Para: jimmy_macguire@hotmail.com
Assunto: o vosso sucesso
Eu sabia que podia contar com vocês! Estou muito contente com o vosso trabalho. Hoje mesmo chegarei a Angola, portanto me venham receber. Chego aí daqui a dez minutos.
Parabéns para toda a equipe!
- O inspector Hugo Faria vem aí? – espantou-se o Samuel.
- Sim. – respondeu o Jimmy.
- Então só um de nós pode ir buscar o Pui-li ao hospital. – sugeriu o Samuel. – Liliane, sabes conduzir?
- Sei. – respondeu ela.
- Então não te importas de seres tu a trazer o Pui-li? – perguntou o Samuel.
- Não, claro que não. – respondeu a Liliane.
Samuel deu as chaves do jipe à Liliane.
- Sabes o caminho, não sabes? – questionou o Samuel.
- Claro que sei. – assegurou a Liliane.
- Não é melhor alguém ir com ela? – inquiriu o Doug.
- Não é preciso, sei muito bem lidar com o Pui-li. – contrapôs a Liliane.
Liliane pegou nas chaves e entrou no jipe. Pôs o pé no acelerador e lá foi ela para o hospital.
Júlio e Augusta foram levados à esquadra.
- Mas que estupidez! Funciona! – admirou-se o Júlio. – Sou o cientista mais estúpido que existe! Vou ganhar o prémio estúpido de melhor cientista estúpido!
Os polícias olharam-no de soslaio, era evidente que aquele cientista não regulava muito bem da cabeça.
- Muito bem! Comecemos por interrogar o senhor Júlio. – decidiu o chefe. – O senhor é que tem a culpa do sucedido?
- Claro, seu estúpido! – assentiu o Júlio. – Só eu posso fazer coisas estúpidas!
- Respeite a autoridade! – ordenou um dos polícias.
- Eu sou uma autoridade estúpida, ouviste seu estúpido? – contrapôs o Júlio.
O polícia teve vontade de o agredir, mas conteve-se.
- Porque é que o senhor, nomeadamente cometeu este crime? – interrogou o chefe.
- Eu passo a citar: eu quando era um pequeno estúpido, eu estive quase a morrer afogado, pois o meu estúpido pé ficou preso a uma alga estúpida... – explicou o Júlio.
- E? – o chefe não estava a perceber o motivo do crime de Júlio.
- E eu quis acabar com todo o tipo de vida lá existente. – respondeu o Júlio.
- O senhor acha que isso é um motivo crente para cometer o que cometeu? – inquiriu o chefe.
- Sim. – respondeu o Júlio.
- E este mutante? Qual é a causa desta transformação? – questionou o chefe.
- Eu deitei produtos asquerosos e estúpidos na água do mar através de um tubo estúpido que ligava o meu laboratório estúpido ao mar. – respondeu o Júlio. – E estes produtos estúpidos faziam que quem pusesse lá os pés, se transformasse num mutante estúpido.
- E quais são nomeadamente esses produtos? – perguntou o chefe.
- Óxidos de azoto, dióxido de enxofre e outros produtos altamente tóxicos e estúpidos. – respondeu o Júlio.
- O senhor não se sente culpado por aquilo que fez? O senhor destruiu muitas vidas, nomeadamente da sua ajudante... – espantou-se o chefe.
- Não. – afirmou o Júlio. – É bem feito a essa estúpida se ter transformado em mutante estúpido.
Augusta não aguentou mais e começou a agredi-lo com uma força sobrenatural.
- Parem já com isso! – ordenaram o chefe e os restantes polícias, tentando separá-los.
- E a senhora? Também é culpada por tudo isto... – começou o chefe.
- Sim, mas eu nunca concordei com ele e só trabalhei com ele para ganhar dinheiro e também não sabia de nada do seu projecto, mas quando percebi, já era tarde demais... ele ameaçou-me de morte se eu contasse a alguém tudo sobre o projecto. – declarou a Augusta.
- Vocês vão estar em prisão preventiva a aguardar julgamento perante o Senhor Meritíssimo Juiz. – disse o chefe.
Augusta não aceitou a sua prisão e pegou na pistola de um dos polícias e suicidou-se.
- É mesmo estúpida, a Augusta! – exclamou o Júlio.
Passado uma semana...
- Já sabem das últimas? – perguntou o Samuel.
- Não, conta lá. – pediu o Jimmy.
- O Júlio já depôs a tribunal e foi condenado a vinte e cinco anos de prisão e Augusta suicidou-se. – anunciou o Samuel.
- Fixe! – contentou-se o Alan. – É muito bem feito!
- Tinha ou não tinha razão face àquela casa? – brincou o Samuel.
- Tinhas. – assumiu a Liliane.
- Temos de ir buscar o Pui-li ao hospital. – disse o Doug.
- Já me tinha esquecido dele... – exclamou a Liliane. – Ele não nos ajudou em nada...
- Ele não teve culpa, esteve doente... – contrapôs o Doug.
- O Doug tem razão. – disse o Samuel. Ele não nos ajudou porque não pôde, mas sempre acreditou que nós iríamos conseguir desvendar o mistério dos mutantes.
Jimmy mandou um e-mail ao inspector Hugo Faria três dias antes, a contar o sucesso da missão. E neste momento estava a ler um e-mail do inspector:
De: hugo_faria@yahoo.com.br
Para: jimmy_macguire@hotmail.com
Assunto: o vosso sucesso
Eu sabia que podia contar com vocês! Estou muito contente com o vosso trabalho. Hoje mesmo chegarei a Angola, portanto me venham receber. Chego aí daqui a dez minutos.
Parabéns para toda a equipe!
- O inspector Hugo Faria vem aí? – espantou-se o Samuel.
- Sim. – respondeu o Jimmy.
- Então só um de nós pode ir buscar o Pui-li ao hospital. – sugeriu o Samuel. – Liliane, sabes conduzir?
- Sei. – respondeu ela.
- Então não te importas de seres tu a trazer o Pui-li? – perguntou o Samuel.
- Não, claro que não. – respondeu a Liliane.
Samuel deu as chaves do jipe à Liliane.
- Sabes o caminho, não sabes? – questionou o Samuel.
- Claro que sei. – assegurou a Liliane.
- Não é melhor alguém ir com ela? – inquiriu o Doug.
- Não é preciso, sei muito bem lidar com o Pui-li. – contrapôs a Liliane.
Liliane pegou nas chaves e entrou no jipe. Pôs o pé no acelerador e lá foi ela para o hospital.
Capítulo 18
Obsessões de amor e uma festa surpresa
Liliane chegou ao hospital e foi buscar o Pui-li.
- Estás melhor? – inquiriu ela.
- Sim. – respondeu o Pui-li. – Já estou curado.
- Vim-te buscar. – disse a Liliane.
- E os outros? – perguntou o Pui-li.
- Estão a receber o inspector Hugo Faria. – respondeu a Liliane.
- Ele está cá?! – espantou-se o Pui-li.
- Sim. – respondeu a Liliane.
- Mas aconteceu algo de errado? – quis saber o Pui-li.
- Não. – desdisse a Liliane. – Antes pelo contrário! Conseguimos apanhar os presumíveis do crime!
- Eu sabia que vocês iriam conseguir! – admirou-se o Pui-li. – Mas afinal quem são esses criminosos?
- É um cientista português chamado Júlio e a sua ajudante Augusta que acabou por se transformar em mutante porque o Júlio atirou-a ao mar. – contestou a Liliane.
- E quais foram as sentenças? – questionou o Pui-li.
- O Júlio foi condenado a vinte e cinco anos de prisão e a Augusta suicidou-se. – abonou a Liliane.
- Muito bem! E como é que vocês descobriram? – interrogou o Pui-li.
Liliane contou as peripécias vividas com algum sentido de humor.
Quem por ali passou e não gostou nada do que viu, foi a enfermeira Salomé que já estava a deitar «fumo pelas orelhas» de tanta raiva que tinha.
- Oh, sua estúpida, hipócrita e reles... o que estás a fazer com o Pui-li? – explodiu ela.
- Eu só estou conversar, minha senhora. – respondeu a Liliane. – E para sua informação, eu vim buscá-lo.
- Já te vais embora, Pui-li? – entristeceu a Salomé.
- Sim, e não vejo a hora de me ir embora! – contestou o Pui-li.
- Oh, menina, ficas já avisada que o Pui-li é meu, ouviste? – gritou a Salomé.
Liliane olhou para o Pui-li, mas este trocou-lhe um olhar confuso.
- Tu namoras com ela? – segredou a Liliane.
- Não. – respondeu o Pui-li. – Nem estou a perceber porque é que ela está assim!...
- Tu gostas dela? – inquiriu a Liliane.
- Claro que não. – respondeu o Pui-li.
- Queres que ela te deixe em paz? – perguntou a Liliane.
- Claro! – abonou o Pui-li. – Qual é o teu plano?
Liliane chegou-se ao Pui-li e beijou-o com paixão:
- Amo-te, Pui-li! – declarou ela.
- Estás parva? Enlouqueceste? – questionou o Pui-li em voz baixa. – Desde quando é que tu gostas de mim?
- Desde nunca. – contestou a Liliane. – Olha, ela está furiosa!
- Esse é que era o teu plano? – perguntou o Pui-li.
- Sim! – respondeu a Liliane. – E parece que resultou às mil maravilhas!
- Obrigado, Liliane! – agradeceu o Pui-li. – Não sei como te agradecer...
- Não precisas de me agradecer, eu já estava farta daquela mulher sempre a olhar para mim de soslaio... – disse a Liliane.
Pui-li deu-lhe um beijo na face. Muito doce.
Liliane não se importava de repetir o beijo que deram para despistar a enfermeira. Tinha sido tão bom!
- Liliane! Liliane! Liliane! – chamou o Pui-li.
Finalmente, a Liliane despertou do Mundo dos Sonhos.
- Estás bem? – inquiriu o Pui-li.
- Estou óptima! Só estava a pensar numas coisas... – respondeu a Liliane. – Vamos?
- Vamos.
Chegaram a casa e deram de caras com o inspector Hugo Faria.
- Oi! – saudou ele. – Pui-li, tudo bem?
- Sim, obrigado! – respondeu o Pui-li.
- Quero desejar os parabéns para todos vocês, foram fantásticos! – elogiou o Hugo.
- Obrigado! – agradeceram todos.
- Podemos voltar para casa? – perguntou o Alan.
- Não, vocês vão resolver outros mistérios. – desdisse o Hugo. – Mas agora vamos festejar!
- O que é que nos preparou? – interrogou o Samuel.
- Uma festa surpresa! – respondeu o Hugo.
- Conta! – pediu a Liliane.
- Se eu contasse deixaria de ser surpresa! – desdisse o Hugo. – Mas para isso vou vos ter que levar para o local da festa.
Hugo chamou o motorista e foram para o local onde a festa surpresa iria presidir.
Quando chegaram ao local, foram muito bem recebidos pela população local.
- Obrigado, muito obrigado! – agradeciam as pessoas.
- Esse cientista teve o que merecia.
- O pior é que o mar da praia Barreira Negra vai estar sempre poluído e vocês não podem tomar banho lá. – disse o Hugo.
A festa decorria animada com comida e bebida tradicionais, música e danças africanas.
- A festa está a ser fixe! – comentou o Doug.
- Pois está! – concordou o Pui-li.
O Jimmy estava alheio àquela euforia toda e encontrava-se na Internet.
O Alan não parava de beber refrigerantes para se refrescar; o Samuel e a Liliane encontravam-se a dançar; o Doug e o Pui-li estavam a conversar e a comer os petiscos e o inspector Hugo Faria estava a curtir a festa com duas belas bailarinas angolanas.
- Venham ver! – chamou o Jimmy. – Fui ao site do Jornal de Notícias. Têm de ver esta notícia!
Os Pequenos Grandes Heróis e o inspector Hugo Faria foram ter com ele.
- Mas que fixe! – exclamaram eles. – Somos uns heróis!
- Ainda vão resolver mais mistérios! – sorriu o Hugo.
Foram apanhados os presumíveis dos mutantes de Angola!
Um grupo denominado por Pequenos Grandes Heróis descobriram os culpados deste crime que abalou o Mundo! Trata-se de um cientista português chamado Júlio Ferreira e da sua ajudante angolana de nome Augusta Silva.
O cientista português assumiu a sua culpa em tribunal e foi-lhe atribuída a pena de vinte e cinco anos de prisão. Augusta acabou por se suicidar com uma pistola de um polícia.
A casa de Júlio já foi confiscada e tudo indica que a poluição e acidez das águas provinham de um tubo que ligava o seu laboratório à sua casa.
Cientistas angolanos encontraram na água vestígios de dióxido de enxofre e óxidos de azoto entre outros produtos altamente tóxicos que deformam qualquer ser vivo que permaneça na água durante muito tempo e também foi descoberto o valor do pH da água: dois.
Os Pequenos Grandes Heróis (uma patrulha de agentes secretos) dirigiram-se ao local para vigiar a praia e encontraram Júlio Ferreira a atirar a sua ajudante, Augusta, ao mar.
Deram-lhe uma pancada que a deixou inconsciente e chamaram a polícia e os bombeiros para salvar Augusta, mas Augusta acabou por se tornar num mutante.
No tribunal, Júlio afirmou que o fez para verificar se o plano de tornar os seres vivos em mutantes dava certo.
As populações locais agradecem aos Pequenos Grandes Heróis e estão satisfeitos com a pena atribuída ao cientista português que entretanto tinha sido expulso da universidade de Massachusetts por ter comportamentos bizarros.
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